Acampavida dá oportunidade para que os idosos convivam com jovens dentro da UFSM

0
279

Os  jovens organizam, ensinam e orientam. Os idosos aprendem, se divertem e se exercitam. Assim é o Acampavida, evento promovido pelo Núcleo Integrado de Estudos e Apoio a Terceira Idade (Nieati) do Centro de Educação Física da UFSM, que este ano está na 14ª edição e acontece nos dias 26, 27 e 28 de outubro. As inscrições estão abertas e podem ser feitas, até o primeiro dia do evento, no Centro de Educação Física (CEFD) da UFSM, na sala da ADUFSM (que fica no hall de entrada do CEFD). O valor é 12 reais e dá direito a uma camiseta e acesso livre às oficinas.

 O principal objetivo do evento é oportunizar a adultos acima de 55 anos momentos de convivência dentro da Universidade, através de atividades físicas, culturais e de lazer. Além disso, as edições do Acampavida têm se estabelecido também como um grande laboratório de ensino, pesquisa e extensão para alunos e professores da UFSM e de outras universidades da região.

O evento, que é uma referência no trabalho com a terceira idade, contribui para o bem-estar dos idosos e também incentiva os jovens monitores das oficinas a refletirem sobre o processo de envelhecimento. Participar do evento também proporciona aos acadêmicos uma oportunidade de interagir com colegas de outros cursos. Para a professora Lúcia Ressel, do curso de Enfermagem, essa interação é essencial:

A parceria estabelecida entre atores de diferentes cursos, tanto do campo da saúde como de outras áreas, tem possibilitado, por meio de seus núcleos de saberes e práticas singulares, espaços de aprendizagem interdisciplinar, o que é fundamental na formação dos futuros profissionais-  diz a professora.

A rotina do Acampavida é determinada por oficinas que envolvem diversas áreas do conhecimento. A anfitriã Educação Física recebe os estudantes e professores da Odontologia, Fisioterapia, Matemática, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Enfermagem, Nutrição, Direito, Zootecnia e Agronomia para que juntos trabalhem num processo teórico-prático, multi e interdisciplinar. Na edição deste ano está previsto que aproximadamente 300 monitores participem. Em troca, os jovens ganham certificado, camiseta e uma vivência prática com idosos que dificilmente teriam de outra forma.

A estudante Larissa Venturini participou em 2011 como monitora da oficina “Sexualidade na Terceira idade – Mitos e Verdades”, promovida pelo curso de Enfermagem, e considera que o Acampavida foi de grande valia na sua formação:

O evento preenche lacunas dos currículos dos cursos de graduação ao possibilitar que se assumam novas posições na construção do conhecimento sobre o processo de envelhecimento- elogia a acadêmica.

Oportunizar mais qualidade de vida aos idosos é um dos principais objetivos das oficinas. A professora Marisa Gonçalves, da Fisioterapia, conta que desde 2001 o curso tem participado de todos os Acampavidas:

Vislumbramos oportunidades de convívio, aprendizado e integração entre os idosos e as equipes multiprofissionais  afirma a professora.

Boa parte dos monitores são oriundos dos grupos PET (Programa de Educação Tutorial) de distintos cursos da Universidade.  O professor Marco Aurélio Costa, diretor do CEFD e coordenador do Acampavida, conta que essa participação massiva dos “petianos” surgiu de um desafio que ele fez aos tutores do projeto:

Eu os desafiei a pensar em alguma ação para o Acampavida e incluí-las na programação anual dos grupos.

O professor sugeriu a cada curso que pensasse como aliar os conhecimentos teóricos à rotina dos idosos. Um exemplo citado por Marco Aurélio é o do curso de Agronomia: eles não sabiam que tipo de oficina oferecer, então pediram uma sugestão ao professor. Ao invés de dar a ideia pronta, ele insistiu para que os alunos pensassem em algo. Surgiu, então, a ideia de uma oficina em que os jovens ensinavam como fazer pequenas hortas em garrafas pet (“para plantar temperinhos”, explica).

Imagina que ‘sacada’! A gurizada teve que pensar o que eles tinham a ver com este tipo de público, e tiveram uma baita ideia — comenta o professor.

E os cursos vão aprendendo, com o passar dos anos e a experiência adquirida, qual é a melhor forma de tratar com este  público.

A primeira vez que o curso de  Odontologia participou, vieram com power points e com um vocabulário mais específico, acabaram não chamando a atenção dos idosos. Agora, eles fazem pecinhas teatrais para ilustrar as situações, ou seja, inovaram na metodologia e conquistaram a ‘plateia’.

À frente do Acampavida desde a primeira edição, Marco Aurélio considera que o evento já não é da Educação Física, mas sim da instituição (Universidade), servindo como laboratório para diversas profissões. Na terça-feira anterior ao evento, já é tradição que ele reúna a todos os oficineiros no auditório da Cesma, no centro de Santa Maria. Nesta oportunidade, há uma tentativa de horizontalizar a informação: ele conta um breve histórico do evento e fala das características principais do Acampavida, do espaço, dos horários edas atividades. Assim, todos os monitores recebem um número grande de informações e podem passá-las aos idosos quando solicitados.

—-

O quê: Acampavida

Quando: 26, 27 e 28 de outubro

Onde: Centro de Eventos da UFSM

Inscrições: 12 reais, na sala da ADUFSM (que fica no hall de entrada do CEFD)

Contato para mais informaçõesmarco.acosta@bol.com.br ou (55) 9956 9492 (professor Marco Aurelio Costa)

Repórter: Luciane Treulieb

Edição: Bianca Zanella

Fonte: http://200.18.45.28/sites/noticias_ufsm/exibir_noticia.php?id=4786