Jovens desenvolvem brincando soluções para idosos

0
670

Aprender brincando foi a receita desenvolvida pelo SESI para despertar nos jovens o gosto pelo estudo da programação. Os ingredientes são simples: unir um grupo de alunos a partir dos 11 anos e desafiá-los a solucionar problemas.

O 4° Torneio SESI-SP reúne, no Pavilhão de Exposição do Anhembi, cerca de 300 adolescentes de várias escolas do estado de São Paulo. O desafio Senior Solutions, tema da temporada 2012/2013, é propor soluções inovadoras para manter a qualidade de vida na terceira idade.

As 40 equipes de jovens estudantes elegeram um Sênior e, diagnosticando o que mais lhe incomoda, desenvolveram um produto que o auxilie no dia a dia. “Quando você conversa com uma pessoa de idade e que sofre de algum problema de saúde, eles respondem “eu quero viver uma vida normal”, constatou Lucélia Sousa, mentora da equipe do SESI Catumbi.

Dor nas costas, problemas de audição, perda progressiva da visão, dificuldade de se locomover e vestir e a grande quantidade de medicamentos a serem tomados diariamente foram os principais problemas elencados pelos sêniors. Com esta lista, os jovens trataram de pensar soluções que pudessem amenizar as reclamações. E, ideias é o que não faltaram.

Óculos com sonar e GPS, para os idosos terem noção de buracos e não se perderem no trajeto; bengala capaz de aferir pulso, pressão arterial e temperatura, armazenando o histórico do usuário; órtese de fibra de carbono, que dispara um sinal avisando quando a pessoa está em posição errada e com sensores nos joelhos e na coluna, foram algumas das invenções que surgiram das jovens mentes.

Além de estimular a criatividade, o Torneio de Robótica também despertou nos alunos a vontade de que seus projetos tomem forma e, na prática, auxiliem os idosos. “Eu acho que a nossa ideia pode dar certo, porque é simples e barata. É um produto para ajudar as pessoas com mais idade”, justificou Wilker Stoianov, 13 anos, estudante do SESI Antônio Esteves de Carvalho, em Itaquera, zona leste de São Paulo.

Criatividade, otimismo e boa vontade não faltaram para essa turma. A equipe do SESI Vila Leopoldina, também da cidade de São Paulo, desenvolveu um equipamento que controla de forma inteligente o uso da medicação. “Nosso projeto é importante para o idoso porque, muitas vezes, ele se esquece de tomar o remédio e, como já sofre um desgaste normal com o avanço da idade, não tomar medicamentos pode prejudicar ainda mais”, concluiu Bianca de Sousa Matos, de 12 anos.

A proposta da modalidade vem ao encontro com o atual momento do Brasil. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresentaram um crescimento considerável da população idosa no país: em 2010 eram 20,5 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Este número representa quase três vezes mais do que há 50 anos, quando havia 3,3 milhões.