Preferência de alimentos amolecidos pelo Idoso pode estar associado à problema de deglutição!

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Sopa |Portal Amigo do IdosoA preferência por alimentos amolecidos é bastante freqüente entre os idosos. Quando realizo entrevistas para iniciar um tratamento, sempre questiono se o paciente consegue ingerir alimentos sólidos. A resposta varia. Alguns dizem que não, pois conseguem notar sua dificuldade; outros relatam que, diferentemente do tempo em que eram jovens, hoje preferem alimentos mais moles. Há ainda aqueles que categoricamente afirmam ingerir sólidos, mas quando acompanho sua refeição, vejo que carnes estão desfiadas, grãos amassados ou triturados e pães e biscoitos molhados no leite.

Na maioria das vezes, por trás desta “escolha” está mascarado um problema de deglutição. Em um idoso saudável, as causas desta alteração podem ser dividas em dois grandes grupos:

1-) Problemas dentários: poucos idosos têm acesso a um adequado tratamento dentário. Permanecem mais de trinta anos com a mesma prótese dentária, desconhecendo que a boca e os modificam-se ao longo de tempo. Verifico mesmo em classes mais favorecidas, próteses mal adaptadas, péssimas condições de higiene oral e restos dentários que prejudicam muito a mastigação.

2-) Alterações da musculatura responsável pela deglutição: o enfraquecimento da musculatura da face que realiza a mastigação, faz com que o bolo alimentar não seja adequadamente formado, gerando cansaço e expondo o sujeito ao risco de engasgar. Da mesma maneira, os músculos da língua e da faringe que transportam o alimento da boca até o estômago também ficam fracos, e além dos engasgos, tosses e cansaço para comer, podem aparecer sintomas de alimento parado na garganta.

Por falta de conhecimento, o idoso infelizmente não procura tratamento. Poucos chegam aos dentistas e aos fonoaudiólogos nesta fase onde muitos benefícios poderiam ter com a solução do problema. Benefícios estes que podem se traduzir não somente através da melhora da mastigação e deglutição, mas de sua alimentação em geral. E como já disse em artigos anteriores, alimentar-se não é só enviar nutrientes ao corpo é uma atividade social e de prazer pessoal.

 

 

juliana-venitesDra. Juliana Venites
Fonoaudióloga 
Especialista em Gerontologia pela UNIFESP e em Motricidade Orofacial pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia
Mestre em Ciências pela UNIFESP-Escola Paulista de Medicina
Doutoranda em Distúrbios da Comunicação pela UNIFESP-Escola Paulista de Medicina
Gerontóloga pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
Docente da Universidade Nove de Julho – UNINOVE
Contato:www.julianavenites.com.br

 

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