IMC ao pé da letra pode ser ruim para idosos

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Mudanças que ocorrem no processo de envelhecimento mudam relação entre a medida e a gordura do corpo. Idosos com sobrepeso medido pelo índice tiveram menor taxa de mortalidade.

Ao contrário do que possa parecer, estar um pouco acima do peso é benéfico para os idosos. A conclusão é de tese de doutorado defendida recentemente pela pesquisadora Alline Beleigoli ao Programa de Pós-Graduação em Saúde do Adulto da Faculdade de Medicina da UFMG. No estudo, idosos com sobrepeso medido pelo Índice de Massa Corporal (IMC) tiveram taxas de mortalidade menores que aqueles com IMC normal.

O principal problema, de acordo com a autora, é a definição exata do que seriam sobrepeso e obesidade em idosos. “Em geral, o processo de envelhecimento é acompanhado de aumento da massa gorda, redução da massa magra e também da altura, quando a pessoa fica mais encurvada”, afirma Alline. “Essas mudanças fazem o IMC se comportar de maneira diferente no adulto e no idoso, podendo refletir mais a quantidade de massa magra do que a massa gorda em idosos”.

IMC | Portal Amigo do Idoso

Por esses motivos, a autora alerta contra a recomendação de dieta apenas devido ao IMC elevado. “Se a pessoa tem uma boa qualidade de vida, sem problemas de saúde que exijam restrições, não há necessidade de dieta apenas por esse motivo”, afirma. “Podem ser tomadas medidas que ajudem a manter um estilo de vida saudável, mas sem focar excessivamente no controle de peso”.

Alline ressalta também que o fato do sobrepeso ser benéfico não significa que esses cuidados devem deixar de existir. “A alimentação adequada e a atividade física, por exemplo, ainda são essenciais para a prevenção e controle de doenças como diabetes, hipertensão e doenças cardíacas”, explica. A atividade física foi inclusive relacionada com uma vida mais longa. “O idoso que se exercita tem mais mobilidade, aumento da densidade óssea e da massa magra, importante para mantê-lo mais ativo e com maior qualidade de vida”, afirma.

Alguns modelos foram utilizados para encontrar uma medida que estivesse mais relacionada com a mortalidade dos idosos encontrada no estudo. A melhor combinação foi uma associação entre IMC e a medida da cintura. “Para qualquer valor de IMC, o aumento da medida da cintura foi relacionado a aumento do risco de morte”, explica a autora.

Estudo de Bambuí

Beleigoli analisou dados do estudo de Bambuí sobre Saúde e Envelhecimento, pesquisa organizada pelo Instituto René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz. Ainda em andamento, acompanha desde 1997 idosos desta cidade do centro-oeste mineiro, coletando informações sobre condições de saúde e hábitos de vida. Das 1742 pessoas com mais de 60 anos à época do início da pesquisa, 1606 (92%) aceitaram participar. Para a tese foram utilizados dados obtidos até 2007, além do monitoramento das certidões de óbito, o que permitiu diferenciar a mortalidade desses participantes.

Serviço

Título: Relações entre medidas antropométricas, peptídeo natriurético tipo B e mortalidade em dez anos de idosos do Estudo de Bambuí sobre saúde e envelhecimento
Nível: Doutorado
Autora: Alline Maria Rezende Beleigoli
Orientador: Antônio Luiz Pinho Ribeiro
Coorientadora: Maria de Fátima Haueisen Sander Diniz
Programa: Saúde do Adulto
Defesa: 17 de agosto de 2012

Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG
jornalismo@medicina.ufmg.br

Fonte: UFMG

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