Prazer sexual na Terceira Idade é possível e perfeitamente legítimo

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No filme francês Et si On Vivait Tous Ensemble? (E se Vivêssemos Todos Juntos?), de Stéphane Robelin, dois casais e um amigo solteirão, todos commais de 75 anos, resolvem morar juntos para fugir da solidão e de um fim de vida numa casa de repouso. Bonito e divertido, o filme toca num assunto que ainda é tabu: a sexualidade na fase madura da vida.

Linda e charmosa, a personagem vivida por Jane Fonda (76) pergunta a um antropólogo que está escrevendo sobre a velhice se ele acha que os velhos têm vida sexual. O estudioso fica atrapalhado e ela lhe diz que é claro que têm, que ela própria se masturba e faz sexo com o marido. O solteirão do filme não fica atrás: procura prostitutas e teme perder a potência.

O que a história nos diz é algo básico: na terceira e na quarta idades as pessoas podem e devem ter vida sexual, namorar, ter fantasias. Mesmo que a potência ou a libido diminuam, ainda há desejo e a imaginação pode ajudar a satisfazê-lo.

Algumas mulheres que atendi no consultório me contaram que após os 60 anos sua vida sexual, com o marido ou um novo namorado, melhorou muito. Várias relataram que só foram experimentar um orgasmo depois dos 50 anos. Maduras, conheceram uma libido que pensavam não existir.

A verdade é que é possível amar, se emocionar, se apaixonar em qualquer fase da vida. Se a pessoa tem saúde, se está bem emocionalmente, poderá viver esse momento sem abrir mão do prazer. Para isso, no entanto, quando os filhos saírem de casa, em vez de ficar chorando e lamentando o ninho vazio, deve fazer novos planos, aproveitar a liberdade.

Se a essa altura o casal continuou junto, mesmo após passar pelos problemas e pelas crises que ameaçam os casamentos, é hora de comemorar, aproveitar a aposentadoria, realizando projetos há muito tempo sonhados, viajando sem preocupações, mudando de casa, ou mesmo de cidade — e tendo prazer sexual.

Duas ou três décadas atrás, quem tinha 60 anos era considerado velho e ia morar na casa dos filhos, cuidar dos netos. Hoje, com essa idade ou mais, estamos cheios de vida, trabalhando e com saúde suficiente para realizar os sonhos que ficaram na gaveta porque havia as crianças para cuidar, ou porque o trabalho não podia ser abandonado, e tantas outras obrigações.

Os netos são adoráveis mas os novos vovôs e vovós podem e devem namorar. Se estão sozinhos, por que não encontrar um companheiro ou companheira? De início, os filhos podem reclamar, criticar a mãe ou o pai por se enfeitar, sair para dançar, ir ao teatro, frequentar um grupo de amigos, mas no fim vão se acostumar e se orgulhar de vê-los felizes e autônomos.

Hoje, as redes sociais ajudam muito. Ninguém precisa ficar sozinho. Tem muita gente no mundo que valoriza mais o caráter, o companheirismo e a filosofia de vida do que a aparência ou o dinheiro. Aproveitar a vida, ser otimista, curtir pequenos prazeres, ter bom humor, saber ouvir são qualidades que atraem.

Agora, quem se considera velho, se entrega à depressão, deixa de cuidar do corpo e só fica em casa, relacionando-se apenas com a família, certamente não terá a menor chance de encontrar uma alma gêmea.

Quando os filhos vão viver a própria vida, o “enfim sós”, não deve ser sentido como solidão, ou final de vida, mas como liberdade e oportunidade para um novo começo.

Fonte: CARAS