Previdência a partir dos 30 permite manter renda; saiba quanto poupar

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Expectativa de vida maior exige planejamento financeiro melhor

Quem pensa no futuro, quer abrir um plano de previdência privada e pretende receber uma aposentadoria gorda quando a velhice chegar não pode perder de vista uma informação-chave: o tempo é o ‘senhor’ dos bons planos de aposentadoria. Quem diz é o especialista em previdência privada Augusto Sabóia. “O dia ideal para começar? Ontem”, arremata.

Ou seja, nada de deixar que os 30 anos passem por cima da sua cabeça, que os 40 voem como um avião a jato e que os 50 desapareçam num piscar de olhos. Em outras palavras: quanto mais cedo melhor. Mas, quem começa a partir (ou até antes) dos 30 tem mais chance de conseguir manter, no futuro, um padrão de vida semelhante ou melhor que o atual, como mostra o
especialista.

“O ideal é pensar em abrir um plano de previdência privada que te garanta, no futuro, uma renda suficiente para manter o seu padrão de vida por pelo menos 30 anos”, explica. Nesse contexto, começar a contribuir aos 30 e começar a receber aos 60 é o ideal. Quer ver?

Suponhamos que hoje você ganha em torno de R$ 2 mil e pretende receber os mesmos R$ 2 mil por mês, durante 30 anos, depois que se aposentar. Sem um plano de previdência, você precisaria guardar R$ 24 mil por ano, chegando a R$ 720 mil ao final dos 30 anos. Segundo os cálculos de Sabóia, criando um plano de previdência dos 30 aos 60, você só precisaria colocar R$ 300 por mês para conseguir uma renda de R$ 2 mil dos 60 aos 90 anos.

“Quem deixar para começar um plano de previdência aos 55 anos vai ter que pagar muito mais para conseguir essa renda na hora da aposentadoria”, explica.

Nunca é tarde 
Apesar disso, nunca é tarde para pensar em ter uma vida melhor no futuro. Para quem já passou há algum tempo dos 30, é possível fazer planos previdenciários com contribuições maiores para garantir a mesma renda no futuro. Quem não puder fazer isso tem a opção de abrir um plano contribuindo menos, mesmo sabendo que não vai receber a mesma renda no futuro, mas pensando na previdência como um valor complementar.

Como o mercado de previdência privada é farto de opções, também é possível escolher, por exemplo, um plano de renda variável, embora isso represente mais risco. “Mas é um risco que vale a pena. O brasileiro é um povo engraçado: joga toda semana na loteria com uma probabilidade mínima de ganhar, mas não assume a possibilidade de correr qualquer outro risco, por mínimo que seja”, reflete Sabóia.

Se agora estiver convencido de que pensar no futuro é abrir um plano privado de aposentadoria, o passo seguinte é escolher o plano certo. No mercado, os planos existentes se dividem em dois grandes tipos: o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL).

O diretor executivo da Bradesco Vida e Previdência, Américo Pinto Gomes, explica a diferença. “O PGBL é mais indicado para quem declara o imposto de renda no modelo completo, pois as contribuições ao PGBL podem ser deduzidas na declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, até o limite de 12% da renda bruta anual. Já o VGBL é mais adequado para quem é isento, declara Imposto de Renda simplificado ou tem previdência complementar e já abate, conforme legislação em vigor, o limite máximo de 12% da renda bruta anual”, detalha.

Ele lembra que os planos de previdência são investimentos flexíveis. Isto é, os participantes podem aumentar suas contribuições ao longo do tempo, fazer aportes adicionais a qualquer momento, e optar por contribuir mensalmente ou de forma única. Podem ainda aplicar em fundo de renda fixa, ou optar por um fundo composto por renda fixa e variável.

Taxas
No momento de contratar um plano em um banco ou seguradora, é preciso ficar atento aos custos. Segundo Augusto Sabóia, as instituições cobram taxas de administração que variam entre 0,5% e 5%. “Nesse caso, uma vez mais, quem começa a constribuir mais cedo tem vantagens: quanto maior o tempo de contribuição previsto, menores as taxas cobradas”.

O rendimento dos planos de previdência variam de acordo com o tipo. Em 2012, por exemplo, apenas levando em consideração os planos da Brasilprev, seguradora vinculada ao Banco do Brasil, os rendimentos anuais variaram entre 8% e 20%, a depender do tipo de plano. O plano Brasilprev de Renda Fixa teve rendimento superior aos 10%, bem superior ao da poupança, por exemplo.

Hoje com 45 anos, o professor Osvaldo Dantas resolveu abrir um plano de previdência privada por volta dos 35. Começou contribuindo menos e, com o tempo, foi aumentando o valor pago mensalmente no plano. “Hoje, pago R$ 800. É um valor alto, mas eu pago com gosto, sabia?”, conta. “É algo que sei que vou precisar no futuro para manter um padrão de vida razoável, então vale a pena”, assegura.

Envelhecimento 

O especialista Augusto Sabóia lembra que, com os avanços da medicina, a expectativa de vida dos brasileiros tem aumentado, o que exige ainda mais planejamento para o futuro. “A tendência é um futuro cheio de velhinhos. Ninguém sabe como a economia vai se sustentar”, adverte. Ele sugere que cada um pense em si na terceira idade como uma espécie de personagem. “Hoje, você é o João. Amanhã, vai ser o Seu João, um velhinho. Tenha certeza de que Seu João vai olhar para você e cobrar: quanto você guardou para mim?”.

Estratégias

O melhor é ontem 

O ideal é começar a fazer seu plano de previdência o mais cedo possível. Com isso, você fará contribuições mais leves por mais tempo, obtendo um bom rendimento no final do plano.

Melhor um plano ruim que nenhum plano 

O mercado é farto. Há planos de todos os tipos e para todos os perfis. Mesmo que você não tenha hoje uma renda boa, vale começar com um plano não tão bom e migrar para um melhor no futuro.

Pense em mais de um plano

A velhice é muito custosa: cogite a possibilidade de fazer mais de um plano, pensando nos fins específicos. Por exemplo: um plano pode ser para despesas médicas e outro para o lazer e os supérfluos.
Pesquise bem seu plano Há muitos bancos e seguradoras oferecendo planos. Pesquise com calma qual a melhor opção para você. Se necessário, contrate um especialista.

Prefira as seguradoras

 Embora os grandes bancos brasileiros sejam seguros, bancos são instituições instáveis e propensas a crises. As seguradoras são mais indicadas.

Pense em um plano de 30 anos

O ideal é pensar num plano de 30 anos de recebimento de aposentadoria. Por exemplo: aposentar-se aos 60 anos e receber um salário mensal até os 90 anos.

Calcule baseado em sua renda

O ideal é que, no final do período de contribuição, você receba por mês o valor relativo à sua renda, no mínimo. Com isso, manterá o padrão de vida a que está acostumado. Se você ganha R$ 2 mil, faça um plano pensando em receber R$ 2 mil todo mês durante pelo menos 30 anos.

Aumente a contribuição com o tempo

Com o tempo, a tendência é que sua renda aumente. Quando isso ocorrer, procure modificar seu plano sempre contribuindo a mais, sempre projetando a renda futura baseando-se no que você recebe no período atual.

Escolha o plano correto

O PGBL é melhor para quem paga imposto de renda, enquanto o VGBL é adequado para quem é isento, não tem renda declarada ou faz a declaração simplificada. Veja mais detalhes no quadro ao lado.

Fonte: Correio