Mal de Alzheimer: o fantasma da nova geração de idosos

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Por André Lorenzetti

Envelhecer é um processo natural que costuma trazer algumas perdas e mudanças importantes na vida das pessoas. Provavelmente a mais assustadora das possibilidades de quem hoje entra na chamada terceira idade é o desenvolvimento de alguma demência, em especial o Mal de Alzheimer.

“A perspectiva de um dia vir a expressar uma demência, como o Alzheimer, está presente no imaginário de muitos idosos, como um fantasma que ronda seus sonhos dia e noite”, comenta Dra. Tania Guerreiro, geriatra, professora da UnATI UERJ e criadora da Oficina da Memória. Esse medo não é infundado, pois, à medida em que há um aumento da expectativa de vida, crescem as chances do desenvolvimento da doença. Por outro lado, os profissionais da saúde estão muito melhor preparados hoje para identificar os primeiros sintomas do Mal de Alzheimer e conduzir um tratamento adequado.

Rodeado de mitos, o Mal de Alzheimer não é conseqüência do envelhecimento, endurecimento das artérias e das veias, falta de oxigênio no cérebro, causado por trauma psicológico ou por depressão. “Ainda não se sabe de fato o que leva uma pessoa a desenvolvê-lo. O fator genético é considerado como preponderante na sua causa, ao lado de agentes infecciosos, contaminação por alumínio e excesso de radicais livres de oxigênio”, explica Adriana Cristine Fonseca Mozzambani, neuropicóloga e doutoranda pela UNIFESP/Escola Paulista de Medicina. A esses fatores, Dra. Tania acrescenta a baixa escolaridade, o isolamento social, o estresse crônico e a existência anterior de traumatismo craniano como fatores que aumentam o risco do desenvolvimento da demência.

A ciência tem investido em pesquisas para se encontrar a cura do Mal de Alzheimer, doença identificada pelo neuropatologista alemão Alois Alzheimer em 1907. Existem algumas drogas com resultados positivos ainda em fase de testes com cobaias, mas, por enquanto, encontra-se dentre as doenças sem cura, chamadas de crônicas, restando aos seus portadores retardar o seu avanço e buscar a melhor qualidade de vida possível. Para isso, o acompanhamento médico, preferencialmente de um geriatra, neurologista ou psiquiatra, aliado a um neuropsicólogo é fundamental.

Além do próprio paciente, a família requer atenção. Segundo Adriana, 60% dos cuidadores, sejam eles familiares ou não, desenvolvem sintomas de estresse. O acompanhamento psicológico, a participação em grupos de apoio ou outras técnicas para controlar a tensão e equilibrar as emoções são bastante produtivas nessas situações que podem durar anos.

Prevenção e identificação precoce

A prevenção, como em qualquer doença crônica, é a melhor solução. Atitudes que trazem uma vida saudável, no caso do Mal de Alzheimer, são eficientes e devem ser adotadas o quanto antes. Esperar a idade avançar para mudar o estilo de vida é menos eficiente, mas é melhor do que não começar nunca. “As recomendações divulgadas para a prevenção de doenças cardiovasculares são válidas também para a manutenção da vitalidade cognitiva, como atividade física regular; alimentação balanceada rica em vegetais e cereais integrais, pobre em gorduras saturadas; cuidados de saúde com um check-up anual e o tratamento das doenças existentes”, orienta Dra. Tania. A geriatra ainda acrescenta que o engajamento social, atividades que ajudem a amortecer o estresse, como meditação, yoga ou a prática de hobbies e o desenvolvimento de atividade intelectual instigadora que resulte em aprendizado e/ou alguma produção, são fatores de prevenção tão importantes quanto o cuidado com a alimentação e a atividade física. “Diria ainda que a manutenção da curiosidade e a paixão pela vida são fatores de prevenção”, complementa Dra. Tania.

O diagnóstico da doença não é 100% preciso. Ele é feito pelo médico por exclusão de outras patologias e por probabilidade, a partir da avaliação cognitiva. Essa avaliação contempla análise da história clínica, testes neuropsicológicos, exame físico, exames de sangue e de imagem. Em algumas raras situações, pode haver o complemento com biópsia do cérebro.

Segundo a Sociedade Brasileira de Neurologia, na grande maioria dos casos o primeiro sintoma é a perda de memória para fatos recentes. É importante salientar que esta perda de memória deve representar um declínio em relação ao funcionamento anterior e que também deve ser de intensidade suficiente para interferir no desempenho do indivíduo em suas atividades diárias. Ou seja, uma perda de memória leve e ocasional não deve ser valorizada da mesma forma. “O esquecimento é uma função importante, o cérebro faz um filtro para guardar as informações que são necessárias para nossa vida. O restante deve ser ‘descartado’ para não sobrecarregar”, comenta Adriana, “Com o envelhecimento, é natural que haja maiores dificuldades na lembrança de eventos recentes.

Além da perda da memória de fatos recentes, podem ocorrer episódios nos quais a pessoa perde a noção de onde se encontra e para qual lado precisa ir, ou não se recorda de que dia ou momento está vivendo. São situações chamadas de desorientação espacial ou temporal. Nesses casos, a visita a um médico pode identificar precocemente não apenas o Mal de Alzheimer, mas qualquer outra doença que traga perdas de memória, raciocínio, aprendizado e comunicação.

Os 10 sinais de alerta para doença de Alzheimer segundo a Sociedade Brasileira de Neurologia

• Problema de memória que chega a afetar as atividades e o trabalho

• Dificuldade para realizar tarefas habituais

• Dificuldade para comunicar-se

• Alterações freqüentes do humor e do comportamento

• Mudanças na personalidade Perda da iniciativa para fazer as coisas

• Desorientação no tempo e no espaço

• Diminuição da capacidade de juízo e de crítica

• Dificuldade de raciocínio

• Colocar coisas no lugar errado, muito freqüentemente

• Alterações freqüentes do humor e do comportamento

• Mudanças na personalidade

• Perda da iniciativa para fazer as coisas

Fonte: Viver Longevidade

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