Famílias buscam clínicas de idosos para fugir de risco

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Na capital, a demanda pelo serviço dobrou desde a promulgação da lei das domésticas

A cuidadora de idosos Sirlei Lima já tinha vínculo formal com seus empregadores antes da mudança. Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS

Antes mesmo da promulgação, a Lei das Domésticas trouxe efeitos para os profissionais que atuam no acompanhamento de idosos. Localizada no bairro Tristeza, em Porto Alegre, a Luz do Oriente Hotelaria Geriátrica registrou aumento na busca por acomodações nos últimos meses:

– Muitos cuidadores também passaram a procurar emprego – diz a gerente geral, Janete Barbiani Fagundes.

Na NG Cuidador, no centro de Porto Alegre, a demanda pelos serviços quase dobrou. Segundo a diretora, Gelci Renck, em 15 dias a busca por profissionais da empresa aumentou 85%.

Formada no curso de Cuidadores de Idosos da PUCRS, Sirlei de Lima é um dos 52 profissionais contratados pela NG Cuidador. Depois de oito anos em uma clínica, já está há um ano na nova empresa. Em todo o tempo que está na atividade, sempre teve vínculo formal com as empresas contratantes.

Mas essa não é a regra entre os cuidadores. Um profissional de Porto Alegre, que prefere não se identificar, há sete anos se reveza com quatro colegas nos cuidados a uma idosa. Nenhum dos cinco é contratado, garante:
– Se eu falar para minha chefia que quero carteira assinada, ela me troca por outro.
Com a nova lei, a tendência é que esses profissionais acabem perdendo espaço no mercado, uma vez que os patrões poderão optar pelos serviços de clínicas e hotelarias geriátricas.

Segundo a presidente licenciada da subregional Porto Alegre da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), Iara Primo Portugal, isso exigirá maior qualificação por parte dos profissionais vinculados às instituições desse gênero.

Em Santa Maria, em outubro passado, já na iminência da promulgação da Lei das Domésticas, um grupo de cuidadores de idosos ligados a uma clínica local decidiu se unir em busca de representatividade. Hoje com 15 integrantes, a Associação de Cuidadores de Idosos Renascer (ACI Renascer) já vem recebendo contatos de profissionais não ligados à clínica.

O presidente da ACI-Renascer, o enfermeiro Eduardo Costa, elogia a nova legislação, que, segundo ele, deixou claras as atribuições dos profissionais da área:
– O que acontecia antigamente? A pessoa era contratada como cuidador de idosos, mas acabava fazendo outras tarefas de serviços gerais. Assim, quem contratava ganhava duas vezes em cima de um profissional só. Agora, o cuidador vai ter suas devidas funções registradas. Não é empregado doméstico, é simplesmente cuidador – avalia Costa.

Fonte: Zero Hora