Terceira idade: estamos prontos para o envelhecimento da população?

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O número de pessoas com Alzheimer saltará de 101 milhões para 277 milhões até 2050. Se pesquisas alertam para uma “epidemia global”, quem cuidará de nós?

*Eduardo Chvaicer

O cuidador tem papel fundamental na vida dessa pessoa, principalmente porque o profissional geralmente torna-se um amigo, companheiro, pois muitas vezes o idoso fica sozinho.
O cuidador tem papel fundamental na vida dessa pessoa, principalmente porque o profissional geralmente torna-se um amigo, companheiro, pois muitas vezes o idoso fica sozinho.

Em 2013, falou-se muito sobre os idosos, de seus direitos, de sua saúde, de como esta população vai aumentar no decorrer dos anos etc. No dia 1º de Outubro foi comemorado do Dia Mundial do Idoso e sabemos que muitos dos direitos (Estatuto do Idoso) ainda não saíram do papel. Muitos elogiam este estatuto, que completa dez anos, considerado um marco na garantia dos direitos da “melhor idade”. Entretanto, já sabemos que o sistema de saúde para os idosos é um caos e que muitas empresas de planos médicos não veem com bons olhos os idosos.

Recentemente uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que em alguns anos haverá no Brasil 32 milhões de idosos e que a expectativa de vida também aumentará chegando aos 80 anos em 2041. Esse envelhecimento da população trará problemas maiores: com a queda da taxa de natalidade – já que as mulheres estão tendo menos filhos -, a maioria da nossa população será de pessoas com idade acima dos 60 anos; As mulheres precisarão de mais ajuda, já que as pessoas que poderiam cuidar delas estarão trabalhando. Assim, o sistema tradicional de cuidar das pessoas – feito de maneira informal pela família, amigos e comunidade – vai precisar de adaptações. Segundo uma pesquisa internacional, as pessoas precisarão de mais cuidados de longo prazo, tais como o banho diário, na alimentação, no vestir-se e etc. Ou seja, precisarão de cuidados de profissionais qualificados e que possam tornar o dia a dia dos idosos mais tranquilo e humano.

No Brasil são mais de 200 mil profissionais que desempenham esta ocupação, mas infelizmente, na contramão das tendências, a profissão de cuidadores ainda está em fase de regulamentação. Somente neste ano o assunto foi tema de discussão, e um projeto que regulamenta a profissão dos cuidadores de idosos foi aprovado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Porém, como existem vários projetos de lei em andamento, alguns contraditórios, nada está definido e muita coisa necessita ser feita.

O cuidador tem papel fundamental na vida dessa pessoa, principalmente porque o profissional geralmente torna-se um amigo, companheiro, pois muitas vezes o idoso fica sozinho. Por isso este profissional precisa ser reconhecido. Pesquisas mostram que o número de pessoas com Alzheimer saltará de 101 milhões para 277 milhões até 2050. Se o relatório alerta para uma “epidemia global” e a maioria da população será de idosos, quem cuidará de nós?

Enquanto preparamo-nos para o aumento da população acima dos 65 anos, países desenvolvidos estão cada vez mais a nossa frente. Sabemos que outras sociedades são diferentes da nossa, mas temos de desenvolver a consciência de que é preciso viver a terceira idade com qualidade. Precisamos valorizar os idosos cada vez mais, pois não podemos esquecer que amanhã nós também estaremos no lugar deles. Os idosos em outros países são disputados como consumidores,  eleitores e trabalhadores. E aqui? Infelizmente, no Brasil existem poucos serviços públicos voltados para eles; faltam direitos básicos como saúde, cultura, cuidados e bem-estar e sabemos que isso é fundamental para viver bem e melhor.

Que venha 2014 com mais esperança de um futuro melhor!

“Eduardo Chvaicer, empresário e máster franqueado da Right at Home – www.rahbrasil.com.br – no Brasil, líder mundial em cuidados com idosos em domicílio

Fonte: DM