Percepção: o que os jovens pensam sobre a terceira idade

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Percepção: o que os jovens pensam sobre a terceira idade | Portal Amigo do Idoso

O velho e o novo é um embate clássico em nossa sociedade. Quando se pensa em jovens e idosos ele já aparece, no choque das gerações. Mas, às vezes, os tempos mudam e o “velho” se reinventa. É o que está acontecendo com a terceira idade do século 21. O idoso mudou, mas como ele está sendo visto pelas gerações mais novas?

As pesquisadoras Andrea Thomaz e Célia Caldas tentaram responder a essa pergunta em seu artigo “A velhice no olhar do outro: uma perspectiva do jovem sobre o que é ser velho”, publicado na Revista Kairós. Baseadas em diversas publicações de acadêmicos da gerontologia, ciência que estuda o processo de envelhecimento, chegaram a uma conclusão: para os jovens, os idosos são “seres de outro mundo”.

Na verdade, os jovens nem gostam muito de pensar no futuro e a simples ideia de envelhecer causa desconforto. O mundo da terceira idade é algo tão distante de suas vidas que a ideia de o que é envelhecimento é distorcida. “Alguns [jovens] definem o idoso através de uma imagem idealizada, diferente da real”, afirmam Caldas e Thomaz.

Esse distanciamento acaba reforçando estereótipos: idosos não sabem lidar com tecnologia, são ultrapassados, vivem doentes, não podem praticar atividades físicas, ou trabalhar e se divertir plenamente. Nada poderia ser mais distante da realidade, claro.

Os estudos mostram que os jovens até reconhecem coisas positivas na velhice, mas nada que vá muito além do: “idosos são experientes e sábios”. Caldas e Thomaz ainda acreditam que, em certos momentos, adolescentes tentam ser positivos a respeito da velhice, mas é tudo balela: eles apenas querem soar politicamente corretos.

Em uma pesquisa que perguntava se era possível ser verdadeiramente feliz na terceira idade, por exemplo, os jovens responderam que sim, mas que não imaginavam a si próprios realmente satisfeitos quando idosos. O que pode ser interpretado como uma forma de afirmar “tudo bem envelhecer, contanto que não aconteça comigo”.

As pesquisadoras explicam: “O jovem classifica a velhice como uma etapa difícil de viver”. E qual a maneira mais comum de lidar com o que parece ser difícil, para os de pouca idade? Ignorar e fingir que não vai acontecer. Uma postura que pode causar muitos prejuízos no futuro.

Um novo olhar financeiro

Ao evitar preocupações relacionadas ao futuro, os jovens acabam colocando de lado questões que precisam de atenção em um período mais cedo da vida, como a aposentadoria. Quando se trata dela, especialistas são unânimes: quanto mais cedo o hábito de poupar for adquirido, melhor. Então, é importante aceitar que a velhice virá e estar preparado para isso.

Para o especialista em educação financeira Reinaldo Domingos, o momento certo para começar a guardar dinheiro é já no primeiro emprego. “Num mundo ideal, as pessoas se preocupariam com isso desde o nascimento. Já no primeiro mês de vida os pais abririam uma previdência para os filhos”, aponta. “Como isso não acontece, o jovem deve começar a poupar quando recebe o primeiro salário”, afirma.

Domingos indica que não importa se o jovem recebe apenas uma bolsa de estágio ou salário de aprendiz: já é importante guardar pelo menos 10% do dinheiro recebido e destinar a uma futura reserva financeira. “O jovem, nessa idade, geralmente ainda mora com a família, sem muitas responsabilidades, é uma quantia que ainda não faz falta”, argumenta o especialista.

O valor máximo da aposentadoria que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) paga aos contribuintes da previdência é de R$ 4.390,24. Isso significa que aqueles que ganham mais de quatro mil reais e desejam usufruir do mesmo salário quando aposentados precisam recorrer à previdência privada. A quantia exata a ser poupada depende de qual padrão de vida o trabalhador vai desejar manter, mas existe um cálculo que pode servir como base.

Com a expectativa de vida dos brasileiros nos 74,6 anos, o ideal é que, aos 65 anos, o trabalhador tenha, pelo menos, uma quantia equivalente a nove anos de seu salário. É um valor que pode ser poupado durante os anos seguindo um ritmo: aos 35 anos, o trabalhador deve ter guardado o equivalente a um ano de seu salário; aos 45, deve contar com três anos; aos 55, seis anos; e finalmente, os nove, aos 65.

Um novo olhar na saúde 

A saúde é um aspecto que requer cuidados durante a vida toda, mas quando se trata de envelhecimento, a atenção dada a ela deve ser ainda maior. Preocupar-se com o futuro ajuda a prevenir diversas doenças na terceira idade.

A prevenção já deve começar aos 40 anos, com uma visita ao geriatra. O médico pode identificar se existem doenças crônicas na família e recomendar tratamentos. A idade também é ideal para um momento de “Chega!”: vida sedentária, rotina estressante, alimentação inadequada, e maus hábitos (como o de fumar, por exemplo) precisam ser deixados para trás.

A prática comum entre idosos de procurar um geriatra apenas quando a saúde física e mental já está deteriorada diminui as possibilidades de tratamento. Por isso, os cuidados prévios aumentam as chances de se ter uma velhice saudável e tranquila. “O estado de saúde de quem fez prevenção será menos complicado quando a idade avançar, pois os prováveis problemas que poderiam ter existido foram corrigidos a tempo e a velhice chega com serenidade e saúde”, explica o nutrólogo Francisco Humberto de Freitas Azevedo, do Instituto de Medicina Biológica em Brasília.

Mas para ele, a preparação para um envelhecimento realmente sadio começa muito antes dos 40, com um estilo de vida saudável, levado desde a juventude. Por isso, é importante manter em mente que hábitos como dieta alimentar adequada, prática regular de exercícios, exames preventivos e atividades de estímulo mental se transformam em benefícios no futuro. “A hora de colher os frutos benéficos chegará. É preciso conscientizar as pessoas sobre a prevenção, pois somente assim é possível minimizar os sintomas negativos do envelhecimento e fazer com que este período seja prazeroso, tranquilo e sem doenças, que trazem tanto sofrimento para o idoso e sua família”, finaliza o nutrólogo Francisco Humberto

 

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