Brincadeiras tradicionais resistem ao avanço da tecnologia unindo crianças e idosos

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Tomar banho de rio, pipa, jogar bola na rua, brincadeiras de roda ainda continuam fortes como diversões para crianças dos dias atuais.

O passado e o presente se unindo por meio de brincadeiras. Crianças e idosos realizando as mesmas atividades em épocas completamente diferentes. O que parece improvável em meio a um século com tanto acesso aos produtos tecnológicos se concretiza quando crianças relatam que preferem largar o videogame por brincadeiras tradicionais.

Uma dessas crianças é Cibelle Lira, 10 anos. Ela conta que até possui um videogame, mas que prefere aproveitar para jogar queimada e bola na rua com os seus colegas. “Ficar dentro de casa é muito chato. Eu prefiro brincar até de noite na rua, porque vejo os meus colegas e posso correr, pular amarelinha e de esconde-esconde”, comentou.

Com 11 anos, Alex Graveiro, conta que prefere brincar na rua, porque não gosta de ficar parado dentro de casa. “Eu até gosto de jogar Need for Speed (série de jogos eletrônicos), mas jogar futebol e soltar com papagaio na rua com os meus amigos é muito divertido, porque a gente brinca muito”.

Voltando no tempo há 60 anos atrás, os relatos do momentos de infância do  aposentado Carlos Alberto, 67, são parecidos com os de Cibelle e Alex. “Carlinhos”, como é chamado pelos seus colegas, aproveitava, quando ia para casa do seu avô, para subir em muros, empinar papagaio e brincar de pião, peteca, pipa, além, claro, de jogar bola.

O idoso relembra uma infância sem energia elétrica, mas que sempre vinha acompanhada de ralação de joelhos e quedas.  “Sinto muita falta daquela época, porque eu era livre e não sabia. Infelizmente, não posso voltar no tempo”, afirmou o aposentado emocionado.

Tomar banho no rio

Com 77 anos, a aposentada Albertina Pereira, conta que, para aproveitar a sua infância também sem energia elétrica, precisou utilizar de manias tradicionais para se divertir, como tomar banho de rio.

“Quando eu era criança, a minha casa ainda não tinha luz. A mãmae só deixava sair quando era noite de lua, mas a gente aproveitava muito para correr e se divertir, porque depois íamos pular em um rio que tinha perto da nossa casa”, relatou.

Piscina? Para a pequena Ana Gabrielly, de 10 anos, igual a Albertina, bom mesmo é o banho de rio. Ela explica o porquê se diverte mais em um rio do que em uma piscina. “Eu prefiro ir para o rio, principalmente quando vou com os meus pais, porque ficar dentro da piscina é muito chato. O rio é muito grande, e posso aproveitar para nadar e pular”.

Canções da infância

“Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar”. Foi esta canção que Salete Machado, 78, citou como a que marcou a sua infância. Deficiente visual e necessitando de ajuda para realizar movimentos, a idosa relembrou quais músicas embalaram a sua infância.

“Vejo na música uma forma de me comunicar. E essa canção foi que marcou os melhores momentos da minha vida, pois, adorava brincar de ciranda com as minhas amigas. Posso dizer que aproveitei essa época com a música. Foi muito bom”, comentou.

Voltando ao presente, Cintia Lima, 11, contou que, até hoje a música ‘Nana Neném’ marca a sua infância, mas que prefere escutar os sucessos da novela Carrossel (SBT).  “Eu lembro dessas músicas até hoje, mas prefiro escutar as músicas da minha novela preferida e jogar queimada na rua”.

Com 83 anos, o residente da Fundação Doutor Thomas, José Palha, escolhe escrever poesias em seus momentos livres. Considerando a infância como o “tempo da inocência”, o poeta relembrou que a sua música preferida era a famosa “Meu pintinho amarelinho”.

“Eu sempre gostei muito de escrever. Por isso quando eu era criança mandava cartas para as minhas namoradinhas, mas preferia também brincar de roda com os meus amigos. Posso dizer que sinto muita falta daquele período, porque todo mundo brincava sem maldade”, comentou o idoso.

Brincar de fazer esporte

Jiu-jitsu. Essa é a brincadeira preferida de Adrielle de Mello, 9. A esportista até comenta que gosta de brincar na rua, mas que se pudesse treinaria todos os dias. “Eu comecei a treinar faz muito tempo. Já tenho nove medalhas dos campeonatos que participei. E isso que eu adoro fazer. Mas no fim de semana, eu prefiro brincar na rua”.

De volta à Colômbia

Saltos de cuerda”, traduzido para o português para pula corda. Foi o que marcou a infância da aposentada Maria Assunção, 58. Nascida na Colômbia, ela conta quais eram as atividades preferidas quando era criança. “Eu brincava de tudo, mas pular e jogar peteca eram as minhas preferidas porque eu gostava de ficar perto dos meninos (risos). Quando minha mãe ia me procurar, eu estava em um campo de futebol com os meninos”, explicou.

A mais nova de uma família de dez irmãos, Maria descreveu as principais diferenças das brincadeiras de antigamente para as de hoje, destacando que as crianças precisam aproveitar os momentos mais importantes das suas vidas.

Melhor idade

Com 79 anos, a pensionista Ione Seixas, 79, afirmou que está vivendo a melhor época da sua vida e que considera a terceira idade como uma segunda infância.

“Muitas pessoas acreditam que chegar na terceira idade é entrar na infância mais uma vez. Eu também concordo com isso porque estou vivendo a melhor idade, onde também tenho a oportunidade  de brincar de roda, pega-pega e de cabo de guerra. Ainda estou viva e me renovando a cada dia”.

A costureira Leonor Zanolin, 66, se considerou como uma “criança grande” na fase idosa, destacando que as suas melhores memórias são das duas fases.

“As minhas melhores memórias são da minha infância e de agora na terceira idade. Hoje me sinto inocente, mas com uma experiência diferenciada, porque já passei por muita coisa. No entanto, posso ser chamada como uma criança grande”, finalizou.

Viver, cair e rolar

Uma criança precisa aproveitar sua infância com as brincadeiras tradicionais”. Foi com essa frase que o aposentado Anatleto José dos Santos, 80, destacou a importância da integração das duas gerações. “Eu não acho graça nenhuma em ficar jogando videogame ou assistindo TV: o legal é ir para rua com os seus amigos e roubar galinha do vizinho e brincar de polícia e ladrão. As crianças de hoje precisam entender que essas brincadeiras são muito importantes”.

Para ele, aproveitar a época de infância é tomar banho de chuva e levar muitas quedas. “Eu sempre gostei de tomar banho de chuva, mesmo sendo tão difícil de acontecer isso aqui em Manaus, porque eu sentia que a gente estava aproveitando a vida, nas quedas e nos machucados”, afirmou aos risos”.

Fonte: D24am

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