Dieta mediterrânea pode ajudar a manter saúde mental, diz estudo

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 RIO – Idosos que seguem uma dieta mediterrânea podem ter benefícios para o cérebro e um menor risco de problemas cognitivos no fim da vida, afirma um novo estudo da Mayo Clinic, publicado em julho na revista Alzheimer’s and Dementia.

“Os resultados sugerem que um padrão alimentar saudável e alguns componentes específicos nessa dieta afetam os biomarcadores do cérebro. Comer muito peixe, vegetais e legumes é benéfico, enquanto um alto consumo de açúcar pode ter efeitos adversos no cérebro”, diz o pesquisador sênior Rosebud Roberts, do Centro de Pesquisa para Alzheimer da clínica.

dieta-do-mediterraneoUma dieta mediterrânea tradicional tem peixe, carne magra, legumes, nozes, castanhas, sementes, frutas, vegetais e gorduras saudáveis. Estudos já a ligaram com menor risco de problemas ósseos e cardíacos.

Roberts e seus colegas no estudo analisaram dados de 672 pacientes na pesquisa permanente da clínica com pacientes idosos. No começo, nenhum dos analisados tinha demência e não estavam internados ou com alguma doença terminal. Os primeiros dados eram de 2004, quando tinham de 70 a 89 anos.

Os participantes descreveram suas dietas e fizeram testes para memória, funções executivas, linguagem, noções de espaço e problemas cognitivos. Pesquisadores também usaram testes de ressonância magnética para chegar a espessura cortical de várias regiões do cérebro.

Os pesquisadores descobriram que os idosos que consumiam mais alto na dieta mediterrânea tinham mais espessura cortical em todos os lóbulos do cérebro. Mais consumo de peixe e legumes em particular parece estar associado com uma espessura maior. Entretanto, a pesquisa admite que não acompanhou por tempo o bastante os pacientes que aparentavam ter um risco menor de ter demência para saber se a dieta impediu que eles um dia desenvolvessem problemas cognitivos.

Yian Gu, uma epidemiologista com o Centro Médico Universitário de Columbia, em Nova York, disse à agência de notícias Reuters que o estudo não consegue apontar se alimentação causa realmente menos atrofia cerebral. Ela não esteve envolvida com o trabalho, mas sua equipe já encontrou ligações entre a dieta mediterrânea, volume do cérebro e massa cerebral total em sua própria pesquisa. Entretanto, ela mesma admite que “esses são estudos observacionais, não testes clínicos, então não podemos estabelecer uma relação de causa e efeito”.

Segundo ela, pode ser o oposto, com mudanças cerebrais causando mudanças na dieta. “Como muita gente sabe, não temos uma cura para o Mal de Alzheimer, e há um longo período antes do começo da doença. É importante encontrarmos os fatores de risco e coisas na vida que podemos usar para prevenir ou adiar a doença”, diz ela. Embora um médico não vá ainda receitar uma dieta mediterrânea para pacientes idosos, não custa tentar, diz a médica.

Fonte: O GLOBO

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