Será que você é Bipolar?!?

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O que é Transtorno Afetivo Bipolar?

*Por Flávia Merschmann

O Transtorno Bipolar leva este nome por causa da alternância de dois estados emocionais básicos: a alegria e a tristeza. Assim como acontece nas doenças físicas, que muitas vezes representam excesso ou falta de algum elemento normalmente presente no corpo, muitas doenças da mente também representam alterações para mais ou para menos de aspectos emocionais comuns.

O equivalente doentio da alegria recebe o nome de mania e o da tristeza, depressão. Estes equivalentes doentios dos aspectos emocionais constituem o que se denomina polos. Como são dois, entende-se o termo bipolar. O estado de bipolaridade é característico do chamado transtorno afetivo bipolar.

Tipos de Transtorno

Transtorno bipolar tipo 1: pacientes apresentam pelo menos um episódio maníaco e períodos de depressão profunda. Antigamente, o transtorno bipolar do tipo 1 era chamado de depressão maníaca

Transtorno bipolar tipo 2: pacientes nunca apresentaram episódios maníacos completos. Em vez disso, elas apresentam períodos de níveis elevados de energia e impulsividade que não são tão intensos como os da mania (chamado de hipomania). Esses episódios se alternam com episódios de depressão

Ciclotimia: Uma forma leve de transtorno bipolar,  que envolve oscilações de humor menos graves. Pessoas com essa forma alternam entre hipomania e depressão leve. As pessoas com transtorno bipolar do tipo II ou ciclotimia podem ser diagnosticadas incorretamente como tendo apenas depressão. 

Causas:

A causa exata do transtorno bipolar ainda é desconhecida, mas a ciência acredita que diversos fatores possam estar envolvidos nas oscilações de humor provocadas pela doença, como:

Peculiaridades biológicas: pessoas com transtorno bipolar parecem apresentar diferenças físicas em seus cérebros, o que pode levar os cientistas a descobrirem as causas exatas da doença

Neurotransmissores: um desequilíbrio entre os neurotransmissores parece ser um importante fator nas causas do transtorno bipolar

Hormônios: desequilíbrio hormonal também está entre as possíveis causas

Hereditariedade: pessoas que tenham parentes com histórico de transtorno bipolar são mais suscetíveis à doença, o que leva muitos cientistas a acreditarem que a genética possa estar envolvida nas causas da doença

Meio ambiente: fatores exógenos, como estresse, abuso sexual e outras experiências traumáticas (como a morte de algum ente querido), também podem estar relacionadas ao desenvolvimento do transtorno bipolar. 

Fatores de risco:

Alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento de transtorno bipolar, como por exemplo:

– Histórico familiar da doença;

– Stress intenso;

– Uso e abuso de drogas e/ou álcool;

– Mudanças de vida e experiências traumáticas;

– Ter entre 15 e 25 anos;

– Homens e mulheres possuem as mesmas chances de desenvolver a doença. 

Sintomas:

Os sintomas de transtorno bipolar depende do tipo exato da doença e costumam variar de pessoa para pessoa. Para alguns, os picos de depressão são os que causam os maiores problemas. Para outros, a preocupação é maior durante os picos de mania. Pode acontecer, também, de sintomas de depressão e hipomania acontecerem ao mesmo tempo. Confira os principais sinais do transtorno bipolar: 

Sintomas da fase depressiva:
. Tristeza
. Diminuição da sensação de prazer
. Apatia
. Alterações de sono
. Alterações de apetite
. Desânimo e cansaço
. Inquietude ou lentidão
. Problemas de concentração e memória
. Pensamentos negativos, pessimistas, autoestima baixa
. Pensamentos ou comportamento suicida 

Sintomas do humor misto (turbulência de humor):
Esse estado ocorre com frequência, principalmente na bipolaridade leve, tende a aumentar sem o tratamento adequado e é agravada e antecipada pelo uso de antidepressivos.
. Humor turbulento e desagradável
. Agitação e irritabilidade
. Ansiedade e tensão
. Breves picos de excitação sexual
. Insônia intratável (não desliga o pensamento)
. Excessos comportamentais (comida, drogas) para aliviar a tensão
. Impulsos (suicidas inclusive)
. Ataques dramáticos, mas genuínos, de nervosismo

Sintomas da fase eufórica ou maníaca ou “para cima”:
. Euforia
. Aumento de energia
. Expansividade e desinibição
. Grandiosidade, dono da verdade
. Agitação
. Menos necessidade de sono
. Irritabilidade, explosividade e agressividade
. Aumento de condutas de risco e de gastos
. Impulsividade
. Distração 

Diagnóstico:

Quando há suspeita de transtorno bipolar, os médicos geralmente recomendam uma série de exames e testes, que poderão confirmar o diagnóstico por meio da eliminação de possíveis outras causas. Além disso, os exames poderão identificar possíveis complicações decorrentes da doença. O médico observará por algum tempo o padrão de comportamento do paciente, bem como suas possíveis alterações de humor. Uma conversa sobre o histórico médico do paciente e de sua família também podem ajudar a confirmar o diagnóstico.

Tratamento e Cuidados:

Como regra, quem tem bipolaridade do humor se beneficia enormemente do tratamento, que envolve uma combinação de abordagens, como a psicoeducação (conhecer o próprio temperamento, o seu padrão de humor e a bipolaridade), psicoterapia (para harmonizar os padrões de pensamento, de relacionamento e elaborar novas estratégias), bons hábitos de vida e tratamento farmacológico com estabilizadores de humor.

Os antidepressivos devem ser reservados para casos restritos porque muitas vezes desestabilizam ainda mais o humor.  

Estabilizadores de humor não-farmacológicos:

. Sono de 7 a 9 horas por dia
. Exercício físico, principalmente aeróbico
. Boas relações afetivas, ter um bom grupo social, ter um confidente
. Artes, hobbies, esportes, meditação, animal de estimação…
. Alimentação saudável, particularmente peixe
. Trabalhar com o que gosta de fazer
. Primar pelo meio-termo e a ponderação nos momentos difíceis
. Fé e espiritualidade

Flávia Merschmann  & Natália Ceará  – Psicólogas – Bem Viver + (www.bemvivermais.com)

*Flávia Merschmann é colaboradora do Portal Amigo do Idoso. Ela é Psicóloga e terapeuta experiente, em constante aprimoramento teórico e com participação ativa em Grupos de Estudos, Simpósios e Congressos. Preparada para tratar depressão, ansiedade, síndrome do pânico, transtornos de aprendizagem e conflitos em geral. Atua também como palestrante, instrutora de treinamentos e workshops. Graduada em Psicologia pela The University of Tampa (Tampa, FL, USA) desde 2012. Áreas em que já atuou: Clinica; Escolar; Hospitalar e Recursos Humanos (R&S).

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