Estresse Pós-Traumático: A doença que muitos enfrentam e poucos percebem!

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Poucas pessoas, para não dizer raríssimas, conseguem perceber em si mesmas ou em outros os sintomas e o contexto do estresse pós-traumático, podendo ser facilmente confundido com transtorno antissocial, pânico ou até mesmo depressão.

Mais conhecido como Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT), a doença pertence ao mundo dos Distúrbios Emocionais, mais especificamente definida como um Distúrbio da Ansiedade, caracterizada por um conjunto de sinais e sintomas físicos, psíquicos e emocionais.

O TEPT ocorre após o indivíduo ter sido vítima ou testemunha de atos violentos ou de situações traumáticas que representaram ameaça à sua vida ou à vida de terceiros. E esse tipo de situação irá variar bastante de pessoa para pessoa. O que para uns pode ser algo extremamente prejudicial e traumático, para outros pode não ter o mesmo efeito.

Contudo, o transtorno não ocorre apenas imediatamente após a situação traumática. A simples recordação do fato faz com que sua vítima revivencie o episódio como se estivesse ocorrendo naquele exato momento e com a mesma intensidade, mesma sensação de dor e sofrimento vivido na primeira vez.

Essa recordação, conhecida como revivescência, desencadeia alterações neurofisiológicas e mentais, alterando não só o estado emocional e psicológico, como o físico também. Viver (ou sobreviver) após um trauma é extremamente prejudicial à saúde emocional, imagina revivê-lo diversas vezes.

O que pode causar?

Recente pesquisa desenvolvida pela UNIFESP (Universidade Federal do Estado de São Paulo) e por outras universidades brasileiras, em parceria com pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, levantou a hipótese de a causa do transtorno estar no desequilíbrio dos níveis de cortisol ou na redução de 8% a 10% do córtex pré-frontal e do hipocampo, áreas localizadas no cérebro.

Busca por Tratamento: um dado alarmante!

Aproximadamente entre 15% e 20% das pessoas que, de alguma forma, estiveram envolvidas em casos de violência urbana, agressão física, abuso sexual, terrorismo, tortura, assalto, sequestro, acidentes, guerra, catástrofes naturais ou provocadas, desenvolvem esse tipo de transtorno. No entanto, a maioria só procura ajuda dois anos depois das primeiras crises. Isso sem contar os diversos casos que não identificaram o TEPT e não acabaram não buscando ajuda.

Sintomas mais relatados:

Os sintomas podem manifestar-se em qualquer faixa de idade e levar meses ou anos para aparecer. Eles costumam ser agrupados em três categorias:

a) Reexperiência traumática: pensamentos recorrentes e intrusivos que remetem à lembrança do trauma, flashbacks, pesadelos;

b) Esquiva e isolamento social: a pessoa foge de situações, contatos e atividades que possam reavivar as lembranças dolorosas do trauma;

c) Hiperexcitabilidade psíquica e psicomotora: taquicardia, sudorese, tonturas, dor de cabeça, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, irritabilidade, hipervigilância.

Sentimentos negativos: sentimentos de impotência e incapacidade em se proteger do perigo, perda de esperança em relação ao futuro, sensação de vazio. É comum o paciente desenvolver comorbidades associadas ao TEPT, como depressão, transtornos associados à ansiedade, ao humor, entre outros. Leia mais abaixo em “Complicações”.

Fatores de risco:

Há diversos estudos que apontam eventos ocorridos na infância e adolescência como fatores que tornam as pessoas mais vulneráveis ao transtorno do estresse pós-traumático. Em geral, se encaixam situações de bullying infantil, situações de violência doméstica, situações que passam despercebidas na escola devido a dificuldades em adaptação (sociabilização) ou aprendizado (TDAH) e essas crianças são estigmatizadas e ridicularizadas.

Tratamento e Cuidados:

Exames: Como em todos os quadros de estresse, existem vários marcadores biológicos que podem ficar alterados e que são instrumentos auxiliares no diagnóstico de estresse pós-traumático:

  • Dosagem do cortisol (o hormônio do estresse)
  • Dosagem dos hormônios da hipófise
  • Dosagem dos hormônios da tireoide
  • Dosagem dos hormônios sexuais
  • Uma polissonografia pode nos revelar as consequências do estresse pós-traumático no sono

Tratamento:

Os objetivos do tratamento do transtorno do estresse pós-traumático estão voltados a:

  • Diminuir os sintomas
  • Prevenir complicações
  • Melhorar desempenho na escola ou no trabalho
  • Melhorar relacionamentos sociais e familiares
  • Tratar transtornos associados (como depressão e alcoolismo).

O tratamento preferencial é a psicoterapia, durante o tempo em que a pessoa precisar, ou seja, enquanto ainda precisar se sentir segura, confiante, compreendida e protegida. De maneira complementar, em algumas ocasiões, o uso de fármacos como os ansiolíticos ou os antidepressivos podem ser bastante úteis.

Fatores que contribuem para a melhora do quadro:

Existem diversas ações que podem ser realizadas para evitar as complicações do estresse pós-traumático, que basicamente se resumem em buscar qualidade de vida e desta forma diminuir o impacto que o trauma teve sobre a vida da pessoa. Tais hábitos são:

  • Prática de exercícios físicos diários – melhora circulação, melhora condição muscular e esquelética, liberação de endorfina e com isso maior liberação de serotonina (neurotransmissores responsáveis pelas sensações de prazer, alegria e satisfação);
  • Meditação e Religiosidade, como contraponto ao materialismo excessivo do mundo atual e sob o aspecto neurocientífico, estimulando o cérebro não dominante ou sensitivo
  • Arte-terapia – desenvolvimento do cérebro sensitivo
  • Técnicas de relaxamento – como contraponto à tensão e ansiedade
  • Dieta saudável e equilibrada
  • Evitar maus hábitos (excesso de bebida, tabagismo, drogas)
  • Fazer do trabalho, além do aspecto de responsabilidade e produtividade, um espaço de convivência saudável e estimulante
  • Bom ambiente afetivo-familiar

Complicações possíveis:

Os fatores de estresse são facilitadores para o desenvolvimento de doenças com repercussões imediatas e à longo prazo, podendo ocasionar problemas crônicos e interferir na qualidade de vida. Podem ocorrer alterações clínicas como: problemas cardíacos, astroduodenais, diabetes, queda da imunidade com infecções frequentes, hipertensão, fibromialgia e outras doenças reumáticas entre outras complicações.

Dentre as complicações psíquicas do estresse pós-traumático estão:

  • Distúrbios do humor
  • Depressão
  • Transtornos de ansiedade
  • Alcoolismo
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)
  • Transtornos de personalidade entre outros.

Recomendações

Preste atenção: o número de diagnósticos de transtorno do estresse pós-traumático tem aumentado nas últimas décadas. Procure assistência médica, se apresentar sintomas que possam ser atribuídos a esse distúrbio da ansiedade;

Lembre-se de que a ocorrência de um agente estressor não significa que a pessoa vai desenvolver TEPT: algumas são mais vulneráveis e predispostas;

Não subestime os sintomas do transtorno em crianças e idosos depois de terem vivenciado situações traumáticas.

Referências Bibliográficas:

1- http://drauziovarella.com.br/letras/e/transtorno-do-estresse-pos-traumatico/

2- Psychiatry Res. 1998; 81: 179-193. Epidemiological and Phenomenological Aspects of Post-Traumatic Stress Disorder Michael Maes;

3- http://www.minhavida.com.br/saude/temas/transtorno-do-estresse-pos-traumatico – Pérsio Ribeiro Gomes de Deus, psiquiatra, diretor técnico de saúde do Hospital Psiquiátrico da Água Funda e médico credenciado pelo Hospital Albert Einstein (CRM-SP: 31.656)

Natália & Flávia – Bem Viver + | www.bemvivermais.com

Natália Ceará é colaboradora do Portal Amigo do Idoso. Ela é Psicóloga, Professional & Life Coach & Palestrante com ampla atuação. Já realizou atendimento à famílias, crianças, adolescentes e grupos. Sua missão é potencializar a autoestima e a qualidade de vida do maior nº de pessoas possível, através da conquista de seus objetivos em todas as etapas da vida.

 

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