Idosos apostam na tecnologia para se relacionar e abandonar a solidão

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Idosos estão procurando se adaptar porque a tecnologia vem mudando a forma de conversar com o filho, com o neto, de marcar uma consulta médica…

A terceira idade representa hoje cerca de 11% da população brasileira, segundo o IBGE. Dados da Organização Mundial da Saúde estimam que o País será a sexta nação com o maior número de idosos até 2025,

O envelhecimento populacional acompanha uma outra tendência: o uso crescente da tecnologia. Em apenas quatro anos, o número de pessoas maduras conectadas mais do que dobrou, saltando de 8% em 2012 para 19% em 2016, de acordo com o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

Esses números são referendados por pesquisa do Instituto Locomotiva, que indica que 5,2 milhões de pessoas acima dos 60 anos utilizam a internet – ou 21% de brasileiros que estão na terceira idade.

É de se esperar, portanto, que parte desse contingente utilize a tecnologia para socializar, de olho até mesmo em relacionamentos românticos. Muitos são adeptos de sites e aplicativos de relacionamento, como Tinder, Happn, Kickoff e OkCupid, entre outros.

“Idosos estão procurando se adaptar porque a tecnologia vem mudando a forma de conversar com o filho, com o neto, de marcar uma consulta médica… Tudo isso obriga o idoso a um reposicionamento”, diz Valmari Cristina Aranha, psicóloga do Serviço de Geriatria do HCFMUSP.

“Já nos relacionamentos afetivos, a tecnologia facilitou muito a vida das pessoas, pois resolve alguns bloqueios quanto à imagem corporal e aparência – posso amenizar algumas características que não gostaria que fossem vistas logo no início, por exemplo”, continua. “Isso faz com que as pessoas se soltem mais. Ainda temos a sensação de que a tecnologia cria um anonimato e, de alguma maneira, protege das questões negativas.” 

Documentário aborda a questão 

A perspectiva tecnológica é um dos aspectos abordados no documentário “A Idade do Amor” (Steven Loring, 2014). A obra, que retrata o relacionamento na terceira idade por meio de um evento de speed dating, coloca em discussão questões como solidão, libido, orgulho, preconceito e aceitação.

O filme apresenta personagens reais e divertidos como Lou, campeão de fisiculturismo na categoria + 80 anos, e Donna, que toma cerveja em sua caneca marcada com a palavra “vovó” enquanto usa sites e aplicativos de relacionamento.

Eles estão entre as 30 pessoas que se inscreveram para participar de um evento de “encontros rápidos”, em que cada participante tem 5 minutos para conhecer melhor os 15 outros parceiros do sexo oposto. Se houvesse química, os contatos seriam disponibilizados e haveria chance de um segundo encontro.

Em 5 de dezembro próximo, o diretor Steven Loring estará em São Paulo para encerrar o ciclo de sessões de “A idade do Amor”. O documentário estreou na Virada da Maturidade, em setembro.

O evento contará ainda com a presença da presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Dra. Carmita Abdo; da própria psicóloga Valmari Cristina Aranha, do HCFMUSP; e da jornalista especializada em gerontologia e editora da revista Aptare, Lilian Liang.

Segundo Lilian, que trouxe o documentário dos Estados Unidos para o Brasil, discutir o envelhecimento, em suas mais variadas formas, é essencial: “Precisamos debater o assunto com profissionais de saúde, com os próprios idosos e a sociedade em geral. É uma questão de educar a população para tratar a velhice como algo natural. E amor e relacionamentos fazem parte desse envelhecer”. 

Virtual x real

Relacionamentos na terceira idade são importantíssimos, pois afastam a solidão, um dos principais problemas da velhice, frisa Valmari: “Isso é uma verdade, especialmente para quem vive muito. Ao chegar aos 90, 100 anos, muitas vezes a pessoa já perdeu amigos, cônjuge, irmãos e filhos. Participar de grupos e atividades e ter relacionamentos é fundamental”.

“Os relacionamentos afetivos são um capítulo à parte porque reavivam as pessoas. A autoestima melhora quando sou olhada por alguém. Conhecer alguém depois dos 60 anos reacende uma chama que pode ter se apagado há muito tempo, pelos mais variados motivos.”

A especialista adverte, entretanto, que o idoso não pode ficar apenas na tecnologia: “O olho no olho, a mão na mão e o companheirismo não podem ser substituídos pela tecnologia em idade nenhuma, muito menos na velhice”.

Documentário (vagas limitadas):
Data: 05.12.2017
Horário: 8h30
Local: Unibes Cultural – Rua Oscar Freire, 2500 – Sumaré – São Paulo
Inscrições (gratuitas): https://www.sympla.com.br/cinedebate-a-idade-do-amor__205828

Fonte: Terra

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