Inteligência Emocional: Como Equilibrar Razão e Emoção?

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*Por: Natália Ceará

A empatia é um dos fatores de maior importância para nosso coeficiente de inteligência emocional. E é bem diferente de apenas reconhecer o que outro sente, é mais como um “sentir junto com a pessoa”.

Nosso cérebro é dividido, entre outras estruturas, principalmente em hemisfério esquerdo e direito. Para entender melhor o que você lerá nesse artigo, é interessante entender, primeiramente, que o hemisfério esquerdo é predominantemente focado em nossas habilidades de cálculo, raciocínio lógico e matemático, entre outras funções, mais ligadas ao intelecto e lado racional nas tomadas de decisão e pensamentos.

 Enquanto que o lado direito é, de maneira predominante (mas não 100%), focado nos sentimentos/emoções, responsável por nossa criatividade, habilidades em se comunicar (parte da linguagem) e se relacionar etc. Portanto, precisamos desenvolver, ao longo da vida, ambos hemisférios para que nossa inteligência emocional alcance níveis mais elevados e adequados.

Ok, então o que é a Inteligência Emocional?

Segundo Daniel Goleman, Inteligência Emocional é “a capacidade de reconhecer nossos sentimentos e os das outras pessoas, de maneira a nos motivarmos a poder lidar adequadamente com as nossas emoções, tanto em relação a nós mesmos quanto às pessoas com as quais nos relacionamos.” “É uma forma diferente de inteligência, composta principalmente de autoconhecimento, habilidade social e capacidade de perceber sentimentos alheios.”

Sim, a empatia é um dos fatores de maior importância para nosso quoeficiente de inteligência emocional. E é bem diferente de apenas reconhecer o que outro sente, é mais como um “sentir junto com a pessoa”.

E como as emoções podem ser definidas?

Alguns estudiosos chegaram a uma definição:

– Emoção é um complexo estado de sentimentos, com componentes somáticos, psíquicos e comportamentais, relacionados ao afeto e humor. (Kaplan e Sadock, 1993).

– Todas as emoções são, em essência, impulsos, legados pela evolução, para uma ação imediata, para planejamentos instantâneos que visam lidar com a vida.

Inteligência Emocional no homem e na mulher:

Segundo o artigo “Inteligência Emocional: Cérebro masculino versus cérebro feminino”, de um portal de psicologia de Portugal:

“Um grupo de cientistas da Johns Hopkins University, fez um estudo no qual descobriram que existe uma região no córtex chamado lóbulo infero-parietal (LIP). Essa estrutura é maior nos homens do que nas mulheres. Além disso, neste estudo também descobriram que, nos homens, o lado esquerdo do LIP é maior do que no lado direito, o que os leva a ter maior tendência em habilidades matemáticas. Esta é a mesma área que foi demonstrada ser maior no cérebro de Albert Einstein e de outros físicos e matemáticos”.

Segundo o mesmo artigo, Jill M. Goldstein e colegas, da faculdade de Medicina de Harvard, utilizaram a ressonância magnética para medir área corticais e sub-corticais em mulheres. Os pesquisadores descobriram que determinadas partes do córtex frontal (envolvido em funções cognitivas muito importantes ) são proporcionalmente mais volumosas em mulheres do que em homens, assim como partes do córtex límbico, envolvido nas reações emocionais. (…) Um outro estudo demonstrou que a área de Broca e Wernicke, áreas relacionadas com a linguagem, eram respectivamente 20% e 18% maiores nas mulheres”.

Na Universidade de Yale descobriram que o cérebro das mulheres processa a linguagem simultaneamente nos dois hemisférios, enquanto que os homens tendem a processá-la apenas no hemisfério esquerdo (hemisfério que focado no racional, cálculos e lógica). Não há maneira melhor ou pior, mas sim apenas diferentes!

Ou seja, homens e mulheres processam fatos e situações tanto emocionalmente quanto racionalmente, contudo, no homem, pela estrutura cerebral formada desde o seu surgimento, predomina o raciocínio lógico e raciona, o que não quer dizer que não consigam sentir e se emocionar, porém, processam e demonstram seu lado emotivo de maneira diferente, até mesmo pelas convenções culturais que perduraram e ainda têm certa força. E a mulher processa as diferentes situações tanto racional quanto emocionalmente, porém, o que sentem a respeito de algo parece prevalecer ao que pensam da mesma coisa.

A boa notícia é que ambos evoluem conforme o tempo e o amadurecimento, e com isso as habilidades podem melhorar em ambos sexos.

Razão X Emoção:

O Q.I. não assegura prosperidade, prestigio ou felicidade. O que parece importar mais é como a pessoa reage às vicissitudes da vida. Quem lida bem com os próprios sentimentos e com os dos outros, tem maior probabilidade de sentir-se satisfeito e ser eficiente. Harvard: acompanhou-se 95 estudantes (classes da década de 40): os que obtiveram melhores notas não foram os mais bem sucedidos na meia idade (salário, produtividade, status, relacionamento afetivo, amigos e família) . Estes não se sentiam felizes ou satisfeitos. (Pesquisa Harvard capitulo 3 – Inteligência Emocional – Daniel Goleman)

 O “sequestro emocional”:

– Temos duas mentes: a que raciocina e a que sente; – Em muitas ocasiões, nossos impulsos emocionais dominam nossa razão;

– Como uma espécie de alarme: reagimos e só depois raciocinamos e percebemos com maior nitidez o que fizemos ou falamos;

– O problema é que muitas vezes nossas reações emocionais são inadequadas, ou seja, somos sequestrados por nosso emocional, que não nos permite, em todas as ocasiões, pensar e raciocinar antes de tomar uma decisão e agir.

Fatores que contribuem para a Inteligência Emocional:

– Auto-conhecimento: Saber reconhecer um sentimento enquanto ele ocorre, tomando consciência das suas emoções;

– Controle emocional: Capacidade de lidar com as próprias emoções, adequando-se a cada situação; – Automotivação: Dirigir emoções para objetivos determinados;

– Empatia: Saber reconhecer as emoções nas outras pessoas, tal como se estivesse sentindo-as igualmente;

– Habilidades nos relacionamentos interpessoais. Habilidade de compreender os outros; a maneira de como aceitar e conviver com o outro.

“Conhece-te a ti mesmo” – Um breve conto:

Um guerreiro samurai, conta uma velha história japonesa, certa vez desafiou um mestre Zen a explicar o conceito de céu e inferno, contudo, o monge respondeu-lhe com desprezo:

– Não passas de um rústico… Não vou desperdiçar meu tempo com gente da tua laia! Atacado na própria honra, o samurai teve um acesso de fúria e, sacando a espada, berrou:

– Eu poderia te matar por tua impertinência!!!

– Isso – respondeu o monge calmamente – é o inferno.

Espantado por reconhecer como verdadeiro o que o mestre dizia acerca da cólera que o dominara, o samurai acalmou-se, embainhou a espada e fez uma mesura, agradecendo ao monge a revelação.

– E isso – disse o monge – é o céu.

Podemos aperfeiçoar a nossa Inteligência Emocional?

O ideal é que a Inteligência Emocional seja desenvolvida logo a partir da infância. No entanto, é possível ser aperfeiçoada durante toda a vida, inclusive na idade adulta.

Identificando suas principais “falhas” emocionais, você poderá aprender a ser um melhor ouvinte ou a controlar suas emoções não só a seu favor, mas também preservando e respeitando os que estão a sua volta.

Referências:

– Daniel Goleman – Livro: Inteligência Emocional

– Armanda Vieira, Joana Isabel Moreira e Rita Morgadinho – Artigo: Inteligência Emocional: Cérebro masculino versus cérebro feminino. 2008.

Natália & Flávia – Bem Viver + | www.bemvivermais.com

*Natália Ceará é colaboradora do Portal Amigo do Idoso. Psicóloga, Professional & Life Coach & Palestrante com ampla atuação. Já realizou atendimento à famílias, crianças, adolescentes e grupos. Sua missão é potencializar a autoestima e a qualidade de vida do maior nº de pessoas possível, através da conquista de seus objetivos em todas as etapas da vida.

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