Alexitimia: A Dificuldade em Expressar Emoções

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*Por Natália Ceará e Flávia Merschmann – Psicólogas da Bem Viver + (bemvivermais.com)

Alexitimia é um termo que diz respeito à marcante dificuldade em descrever emoções, sentimentos e sensações corporais.
A palavra provém do grego, onde A indica “ausência”, lexis significa “palavra” e timia, “emoção”.
Um dos principais sintomas é a confusão entre sensações e sentimentos. Outro principal sintoma reside na grande dificuldade em expressar os sentimentos através de palavras.
O alexitímico costuma relacionar suas sensações físicas aos seus sentimentos. Por exemplo, após sofrer um duro golpe emocional, o alexitímico irá reclamar de dor de cabeça ou fadiga, mas não saberá relatar de forma clara o que realmente sentiu.
Atualmente, o método mais utilizado para diagnosticar e qualificar a alexitimia é a Escala de Alexitimia de Toronto (Toronto Alexithymia Scale ou TAS-20).
São pessoas incapazes tanto de manifestar suas emoções com as palavras e seu corpo, como de diferenciá-las e expressá-las. Muitas das pessoas chamadas frias ou racionais, de fato sofrem alexitimia, uma espécie de analfabetismo emocional.
São indivíduos com dificuldades para identificar e descrever os sentimentos próprios e alheios, que raras vezes choram, mas quando o fazem seu pranto é intenso, e que não distinguem sensações corporais como a fome, das emocionais, como a moléstia na região abdominal que produz a ansiedade.
A eles lhes custa muito diferenciar o que sentem, como raiva, temor ou ansiedade e os descrevem mediante expressões gerais: dizem que estão “bem” ou “mal”, sem poder diferenciar emoções como alegria, tristeza, cansaço, irritabilidade ou nervosismo.
Também não podem interpretar as emoções que lhes rodeiam, o que lhes impede de reagir ante os sentimentos alheios, assim como sentir empatia, ou seja, colocar-se no lugar do outro.
Costumam ir ao médico por supostas dores físicas ou disfunções, que de fato obedecem a estados emocionais.
Raras vezes empregam o contato físico para se aproximar a alguém que está expressando um sentimento intenso, porque não sabem como agir e não entendem o que o outro necessita naquele dado momento: um abraço, uma carícia de afeto, uma palavra amável.
Seja como for, a incapacidade de expressar emoções, uma desordem que sofrem em distinto grau uma de cada 10 pessoas, empobrece a vida, as relações e a saúde, de diversas formas.
A impossibilidade de verbalizar e abordar os conflitos psicológicos, como a morte de um familiar, uma demissão ou um divórcio, faz com que a pessoa somatize os problemas, favorecendo desde as úlceras e gastrite, até as artrites reumatóides, o lupus, a vasculitis ou as nefrites.
Assim, o alexitímico responde a situação através de manifestações em seu corpo, ao invés de palavras.
Além disso, a falta de expressão emocional foi relacionada com as toxicomanias e transtornos alimentícios, como a anorexia e a bulimia, que por sua vez dificulta a convivência e é a origem de muitos conflitos e rupturas conjugais.
A pessoa “fria” não compreende o que acontece a seus familiares, nem pode manter vínculos próximos ou amizades profundas.
Uma psicoterapia breve, de 4 a 6 meses de duração, com uma abordagem verbal adaptada à falta de expressividade destes pacientes e acompanhada de exercícios de relaxamento e/ou de um tratamento ocupacional, costuma ser propícia para tratar a alexitimia.
Um excelente exercício que pode ser realizado em terapia é a identificação detalhada do que se sente, ampliando a lista de adjetivos e expressões ligadas a emoções que esse paciente apresenta.
Por exemplo, num momento de muita raiva e ansiedade, ele não poderá mais apenas dizer que “aquilo lhe deixou mal”, mas sim começar a expressar as sensações tais como: “é como se houvesse um cachorro raivoso dentro de mim” ou “senti como uma faca atravessando meu peito” e “me senti como se tivesse sido destruído por dentro”, entre outros.
Um importante alerta aos profissionais é de que há certo risco de confusão entre a Alexitimia com outros diagnósticos ou com a ausência de um diagnóstico, como por exemplo, achar que na verdade a pessoa é apenas forte e não se sensibiliza tanto, não é de chorar com frequência, não gosta de se expor (ou é tímida), até outros tipos de confusões mais graves, levando a um disgnóstico impreciso de psicopatia, esquizofrenia, sendo que na verdade a pessoa sente sim, se emociona como todos, só não sabe expressar, reconhecer nem diferenciar suas emoções de outras sensações.
Busque ajuda sempre, pois somente se conhecendo ao máximo, você poderá ter um nível maior de qualidade de vida, enxergar maior sentido no que faz e com quem se relaciona, além de estabelecer uma relação mais saudável com o mundo e seu papel nele.
Fontes: Wikipedia e Notícias do Uol.com.br

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