Adaptações na moradia do idoso são o foco no Estúdio da Longevidade

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Foto: Zeca Wittner/Estadão

Projetado pela arquiteta Flavia Ranieri, espaço garantiu o troféu do Prêmio Casa na categoria Estúdio dos Sonhos

Formada pela UFMG, e com Pós em Gerontologia pelo Centro de Educação e Pesquisa Albert Einstein (2017) – onde era a única arquiteta em uma turma de 30 alunos da área médica – Flavia Ranieri fundou seu escritório, o GROU, com o objetivo de desenvolver projetos direcionados especificamente para as necessidades dos mais velhos.
“Montei o GROU com a proposta de antever, através da arquitetura, a nova moradia do idoso, onde ele pudesse reconhecer sua própria história”, define ela. “Nos meus projetos, procuro criar condições para que o idoso continue morando na sua própria casa, adaptando-a, gradativamente, às necessidades que vão surgindo com o tempo.”
Assim, o Estúdio da Longevidade, seu projeto premiado na Casacor deste ano, contém todos os itens básicos que o mercado já disponibiliza pra esse público, como barras de apoio no banheiro, ausência de degraus e piso antiderrapante, porém, Flávia vai além. O piso utilizado pela arquiteta evita que o reflexo produzido pela luz atinja os olhos do morador. O sofá conta com espuma de maior densidade e a altura da cama, adaptada à estatura do idoso, facilitam o levantar, além de outros detalhes que fazem muita diferença no dia a dia.

À direita, prateleiras foram instaladas em alturas mais baixas e iluminadas. A torneira tem temporizador para evitar que fique aberta por esquecimento
À direita, prateleiras foram instaladas em alturas mais baixas e iluminadas. A torneira tem temporizador para evitar que fique aberta por esquecimento Foto: Zeca Wittner/Estadão
Ao contrário do que pensa o mercado, segundo Flávia ainda muito tímido na área, sem informação e investimento, a demanda por este segmento de produtos é bastante alta. “Por ora, procuro me adaptar ao que existe, utilizando ferragens de forma criativa para atender às funções que busco”, afirma.
“No estúdio, por exemplo, inverti o sentido dos puxadores, instalando-os na horizontal, para que pudessem ser utilizados também como barras de apoio. As estantes descem até a altura dos olhos, evitando que o idoso suba no ‘famoso’ banquinho e, além disso, diminui a altura dos cabideiros e ampliei a dos gaveteiros”, acrescenta. Para finalizar, mensagens adesivadas nas portas dos armários sinalizam seu conteúdo.
A parte de automação da AlarmBR completa o projeto da Flavia com fatores de segurança e facilidades, que são gerenciados através de um aplicativo instalado no celular do idoso, bem intuitivo e de fácil uso. O programa produz o acionamento online e de longa distância das câmeras, caso haja algum acidente ou o botão de pânico seja acionado. A campainha da casa toca também no celular e é possível atendê-la ou mesmo acionar a abertura da porta por ele.

O box do chuveiro tem portas articuladas, que mudam de posição e fazem o fechamento conforme o necessário. O vaso sanitário foi instalado mais alto que o padrão, para facilitar sua utilização
O box do chuveiro tem portas articuladas, que mudam de posição e fazem o fechamento conforme o necessário. O vaso sanitário foi instalado mais alto que o padrão, para facilitar sua utilização Foto: Zeca Wittner/Estadão
Outras possibilidades úteis e de fácil utilização pelo morador idoso incluem o sinal sonoro na gaveta de remédios, que pode ser disparado no horário programado e a luz suave balizadora que acende no rodapé, quando a pessoa coloca o pé no chão ao levantar da cama durante a noite.
Satisfeita com a primeira colocação na categoria Estúdio dos Sonhos, Flavia pretende colaborar para diminuir o estigma que ronda esse tipo de moradia. “Acredito que quando um idoso souber que um ambiente com estas características ganhou um prêmio, ele irá reconhecer a necessidade da adaptação do seu ambiente sem se rotular como ‘velho’.’’
“O que mais me deixou feliz, foi ter tido a confirmação de que vale a pena prosseguir neste caminho. Que vale a pena perseguir uma arquitetura pensada para os moradores da terceira idade”, finaliza Flavia. Com um sorriso aberto no rosto.

Fonte: Estadão

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