Dependência emocional: 5 formas para ser menos dependente

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A dependência emocional acontece quando alguém depende de outro para ser feliz, para se sentir bem, para se sentir amada, para tomar suas próprias decisões. Pode ser um sofrimento leve e quase imperceptível ou até um transtorno mental que exige tratamento. O começo da mudança acontece quando a pessoa consegue se valorizar. Como diz Osho: “Se você é capaz de ser feliz quando está sozinho, você aprendeu o segredo de ser feliz”. 

 O que é dependência emocional?

Segundo a Mental Health America, uma associação americana sem fins lucrativos, “a co-dependência ou a dependência emocional é uma condição emocional ou comportamental que afeta a habilidade do indivíduo de ter um relacionamento saudável e mutualmente satisfatório”. Por esta definição, começamos a ver que a dependência emocional terá impactos negativos não só para a pessoa que sofre, mas também para o seu parceiro ou parceira.

Uma definição mais clara e ligada à psicologia diz que a co-dependência ou a dependência emocional é “uma condição psicológica ou um relacionamento no qual a pessoa é controlada ou manipulada por outra que é afetada por uma condição patológica”. Neste sentido, a dependência emocional já poderia ser considerada uma condição patológica, que exige cuidados e tratamento. Nem sempre é o caso, porém, é importante considerar a possibilidade de se tratar de um transtorno mental. Segundo o DSM-5, os critérios diagnósticos para o Transtorno de Personalidade Dependente são:

Transtorno de Personalidade Dependente – DSM-5

Uma necessidade difusa e excessiva de ser cuidado que leva a comportamentos de submissão e apego que surge no início da vida adulta e esta´presenta em vários contextos, conforme indicado por cinco (ou mais) dos seguintes:

1) Tem dificuldades em tomar decisões cotidianas sem uma quantidade excessiva de conselhos e reasseguramento de outros.

2) Precisa que outros assumam responsabilidade pela maior parte das principais áreas de sua vida

3) Tem dificuldade em manifestar desacordo com outros devido a medo de perder apoio ou aprovação (Nota: não incluir os medos reais de retaliação).

4) Apresenta dificuldade em iniciar projetos ou fazer coisas por conta própria (devido a falta de autoconfiança em seu julgamento ou em suas capacidade do que a falta de motivação ou energia).

5) Vai a extremos para obter carinho e apoio de outros, a ponto de voluntariar-se para fazer coisas desagradáveis.

6) Sente-se desconfortável ou desamparo quando sozinho devido a temores exagerados de ser incapaz de cuidar de si mesmo.

7) Busca com urgência outro relacionamento como fonte de cuidado e amparo logo após término de um relacionamento íntimo.

8) Tem preocupações irreais com medos de ser abandonado à própria sorte.

5 formas para se tornar menos dependente

Sendo ou não um transtorno mental, exigindo ou não um tratamento mais especializado, as dicas a seguir podem ajudar qualquer um a ser menos dependente e também a diminuir o sofrimento causado pela dependência.

1) Consciência da dependência emocional

A consciência da dependência emocional é o primeiro passo para começar a superar os sentimentos. Sem ter consciência do que está acontecendo, tudo vai continuar como está e o sofrimento tenderá a continuar. Ao passo que se uma mudança for buscada, ela pode ocorrer com o aumento da autoestima, da autovalorização e com a ajuda da psicoterapia.

2) Reconheça o seu valor

Reconheça o seu valor-próprio e trabalhe para aumentar a autoestima, que pode ser melhorada com o foco em pensamentos positivos sobre si mesmo, percebendo suas limitações bem como suas conquistas, estabelecendo metas e objetivos, ajudando outros e fazendo o que te faz sentir bem. Aceite as suas decisões e observe a sua capacidade de fazer o que é melhor para você e busque ajuda se precisar.

3) Perceba que você tem o controle de si

Perceba que você tem o controle de si, incluindo seus sentimentos, emoções e ações. Algumas vezes acontecem eventos na vida que são incontroláveis, mas você precisa perceber o que você pode controlar. Não permita que outra pessoa controle o caminho que você deve seguir.

4) Reconheça as suas necessidades emocionais

Reconheça as suas necessidades emocionais e não dependa de uma única pessoa. Ou seja, trabalhe para construir uma rede de relacionamentos (amizades, colegas, familiares) e também considere a importância de fazer terapia. Afinal, na terapia podemos falar coisas que não falaríamos em outros tipos de relacionamento.

5) Não programe o seu dia-a-dia dependendo da outra pessoa

Perceba que você também possui necessidades que são importantes e você precisa ter controle da sua própria vida e fazer as suas coisas independente dos outros. Você pode se comprometer e reconhecer as necessidades do outro, mas você tem que se lembrar igualmente que você tem que viver sua vida além do relacionamento.

Conclusão

A vida é mais bonita com amor, mas é mais saudável quando estamos bens com nós mesmos. Não podemos manter uma relação sã se não nos desenvolvermos como pessoas. Quando você ama a si mesmo e não precisa de mais ninguém, é quando está preparado para amar os outros de maneira saudável. Todos gostariam de ter o par ideal, uma pessoa para amar… Mas uma coisa é “necessitar”, e outra muito diferente é “desejar”. Quando você necessita, não dá certo pois você não ama a si mesmo e, assim não poderá amar os demais de maneira madura e saudável. Devemos aprender a aproveitar a vida sozinhos. Há inúmeras coisas a se fazer! Desenvolva suas habilidades, cultive seu futuro, dedique tempo aos hobbies, faça amizades, viaje, olhe ao seu redor e aproveite as pequenas coisas. E acima de tudo, cuide e ame a si mesmo como você merece.

 Espero que de alguma forma você tenha percebido questões importantes com esse texto e passe a analisar como se sente e como está agindo com relação à tudo isso. Se gostou, compartilhe nas suas redes! Pode ter mais pessoas interessadas!

Flávia Merschmann  & Natália Ceará  – Psicólogas – Bem Viver + (www.bemvivermais.com)

*Flávia Merschmann é colaboradora do Portal Amigo do Idoso. Psicóloga e terapeuta experiente, em constante aprimoramento teórico e com participação ativa em Grupos de Estudos, Simpósios e Congressos. Preparada para tratar depressão, ansiedade, síndrome do pânico, transtornos de aprendizagem e conflitos em geral. Atua também como palestrante, instrutora de treinamentos e workshops. Graduada em Psicologia pela The University of Tampa (Tampa, FL, USA) desde 2012. Áreas em que já atuou: Clinica; Escolar; Hospitalar e Recursos Humanos (R&S).

 

 

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