Quem cuida de um familiar também precisa cuidar de si

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Quem cuida de alguém também precisa cuidar de si mesmo

Envelhecer e adoecer fazem parte do curso natural da vida. É comum que muitas pessoas necessitem de ajuda, principalmente quando essas situações são incapacitantes. Às vezes, o auxílio mais próximo pode ser de um familiar.

Não são todas as famílias que têm condições de arcar com os custos de um profissional cuidador de idosos ou enfermeiro, então os próprios filhos ou pessoas com outro grau de parentesco assumem a responsabilidade de cuidar.

Entendo o quão nobre é este ato. Doar-se a alguém, sabendo que terá de assumir toda a carga de cuidados e atenção, é mesmo muito bonito. Mas quem cuida de alguém também precisa cuidar de si mesmo.

Uma pesquisa realizada em 2017 pela Embracing Carers levantou dados de entrevistas com cuidadores não remunerados e não profissionalizados de diversos países.

O estudo mostrou que 42% deles colocavam a saúde da pessoa que estão cuidando acima de sua própria saúde.

Mais da metade dos cuidadores não tinham tempo para marcar ou comparecer a consultas médicas para eles mesmos. E 47% deles tinham sintomas depressivos.

Quando percebemos que esse tipo de situação era uma tendência em muitas famílias, idealizamos uma forma de prestar auxílio.

Coordeno o curso “Cuidando de Quem Cuida”, destinado a quem assiste o familiar tal qual um cuidador profissional.

O objetivo é passar conhecimentos básicos de cuidados às pessoas que necessitam

Um dos pilares desse curso é o autocuidado. Sabemos que tarefas como cuidar dos horários da alimentação, dar banho, administrar medicamentos, marcar consultas, e tantas outras, consomem muito tempo e demandam dedicação.

Mas é importante ressaltar que nós também adoecemos e o familiar precisa que estejamos saudáveis para auxiliá-lo.

Os participantes assistem a palestras de profissionais de áreas distintas. Cada um ensina técnicas básicas de como cuidar de um idoso, principalmente acamados, e o que fazer em casos de emergência.

Ao final do curso, todos recebem certificado. É gratificante. Sabemos que muitos ali dão a vida pelo familiar e nosso papel é orientá-los e capacitá-los.

Uma dica valiosa para essas pessoas é fazer atividades que tragam prazer

Praticar exercícios físicos, reservar horários e dias para descanso, buscar uma atividade de convivência social, por exemplo, são coisas que podem prevenir, inclusive, sintomas depressivos e outras doenças.

Por mais que cuidar do ente querido seja uma atividade de muita responsabilidade e cobrança, é preciso entender: nem sempre damos conta de tudo, e está tudo bem!

Carolina Leite é Psicóloga Clínica e Gerente de RH da Prevenir Assistencial

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