Setembro Amarelo: Psicanalista alerta para alta taxa de suicídio entre idosos

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Para a psicanalista Eloah Mestieri, os mais variados tipos de violência contra a terceira idade são as principais causas para este tipo de óbito no Brasil

São Paulo, setembro de 2020 – Quando se fala em suicídio no Brasil, geralmente o associamos à juventude.

Mas, a verdade é que o número de idosos que tem tirado a própria vida nos últimos anos tem aumentado significativamente.

De acordo com dados divulgados pela Secretaria da Saúde em 2018, houve uma alta na taxa de suicídio entre idosos com mais de 70 anos.

Nessa faixa etária, foi registrada a taxa média de 8,9 mortes por 100 mil habitantes nos últimos seis anos. A taxa média nacional é de 5,5.

Para psicanalista especialista em bem-estar na terceira idade, Eloah Mestieri, a causa principal do suicídio entre idosos é a depressão, que pode ser desencadeada por diversos motivos.

O primeiro deles, segundo a especialista, é sentir-se um peso para a família, alguém que não faz mais diferença, seguido por outros também muito relevantes.

Perda do cônjuge, perda dos amigos, comprometimento físico ou cognitivo a ponto de impedir uma vida com independência mesmo nas ações banais, perda do papel social, sentimento de nulidade, solidão, desamparo, violência física e psicológica, abuso financeiro, infantilização, e principalmente falta de um propósito na vida”, elenca Eloah.

A especialista alerta para as pessoas próximas estejam atentas aos possíveis sinais dados por quem está em apuros.

“É comum que esse idoso diga frases como: ‘já não faço mais diferença’, ‘meus filhos estão criados e não precisam mais de mim’, ‘sou um peso para todos’, ‘estou cansado de viver’, como também mudanças de comportamento, perda de interesses, desleixo com a saúde, aparência e até mesmo com a higiene, isolamento, entre outros”.

Eloah pondera que estes tipos de frase não são “conversa fiada”, mas sim um último pedido de socorro.

“Elas significam ‘olhem para mim, estou sofrendo, preciso ser amado e valorizado’, ‘não sou um incapaz’, ‘estou esquecido’”.

Para que os familiares e pessoas próximas possam ajudar a reverter estes pensamentos e a depressão, Eloah aconselha a busca por ajuda profissional e que se ouça este idoso.

“Inclua-o nos assuntos e lazeres familiares, incentivando-o a dedicar-se a alguma atividade”, complementa a psicanalista. 

“A importância de termos um propósito em qualquer fase da vida é absolutamente fundamental, até como preventivo de doenças senis, como o Alzheimer, por exemplo. A menos que o idoso apresente alguma patologia cognitiva, estará plenamente capaz de desempenhar várias funções. O cérebro tem plasticidade e pode manter-se em forma mesmo em idades muito avançadas”, pontua Eloah.

Outro aspecto apontado que não é muito abordado, segundo a especialista, e que pode levar à depressão, é o idoso perceber que os parentes querem controlar o que ele está gastando.

“Costumam dizer que ele está depenando o patrimônio da família como se o patrimônio já fosse deles. Isto soa como se estivessem com pressa de colocar as mãos na herança, não se importando nada com seu ente próximo”, pondera a especialista.

Para quem está se sentindo deprimido e enfrentando alguma violência por parte de familiares ou pessoas próximas, a especialista aconselha que a pessoa ligue para o Disque 100 (Disque Direitos Humanos).

Sobre a Eloah Mestieri -Psicanalista Clínica Integrativa, com abordagem Cognitivo/Comportamental, formação em PNL, Análise Transacional, Nova Medicina Germânica (psicossomática), entres outras. Especializada no bem-estar na terceira idade, transtorno de ansiedade e terapia em casal, Com rica experiência na área, a especialista fala com propriedade sobre temas como envelhecimento bem-sucedido, cuidados com o transtorno de ansiedade e terapia em casal.

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