Sarcopenia: tratamento garante qualidade de vida ao idoso

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Exercícios de resistência e alimentação rica em proteína formam a base do tratamento da sarcopenia.

Aproveitar a vida na terceira idade, depois de décadas de trabalho, é um projeto comum à maioria das pessoas.

No entanto, tarefas simples do dia a dia, como levantar-se da cadeira, abrir uma garrafa de água ou tirar o pó da sala de casa podem se tornar um problema.

Os sinais de que a idade não vem sozinha são claros. Às vezes, ela vem acompanhada de dificuldades de locomoção, de redução na capacidade funcional e até mesmo respiratória. Todos esses sintomas podem apontar para uma só doença: a sarcopenia.

O crescimento da população idosa e a relação com a doença

Estudos da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) apontam que, em geral, a sarcopenia atinge 15,4% da população geral de idosos de até 79 anos. Já nos indivíduos com mais de 80 anos, a incidência de desenvolvimento da doença é de 46%.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida no Brasil está aumentando regularmente: na década de 1940, ela era de 45,5; nos anos 1980, de 62,5 anos; até chegar aos 75,5 anos em 2015.

A projeção é de que, até 2050, um em cada três brasileiros seja idoso. Matematicamente, a manifestação da sarcopenia também tende a crescer.

Como a doença se apresenta

A doença se apresenta de duas maneiras. A primária pode ser um processo natural do envelhecimento, já que nesta etapa da vida ocorrem alterações hormonais e fisiológicas que podem levar à redução da densidade corporal.

Já a secundária pode refletir uma vida sedentária, com má alimentação ou como consequência de outras doenças. O estudo da SBGG apontou, ainda, o tabagismo como principal fator associado à sarcopenia.

Quando em grau avançado, a patologia pode gerar desequilíbrio e quedas – que, em idosos, têm recuperação mais demorada.

Diagnóstico rápido, tratamento facilitado

O diagnóstico precoce é decisivo para identificar o tratamento ideal, assegurando maior qualidade de vida ao idoso.

Vale lembrar que o autorrelato do paciente, apontando as dificuldades e sintomas que ele apresenta, também é importante. Para identificar a perda de massa muscular e suas funções, o clínico geral ou o geriatra pode valer-se de métodos de avaliação direta.

Um dos primeiros testes é o de velocidade de marcha. Quando o idoso cumpre o desafio com índice igual ou menor do que 0,8 m/s indica-se o primeiro sinal de sarcopenia.

Mas ainda são necessários outros testes. Baseados na soma da massa muscular dos braços e pernas, dividida pela altura, Baumgartner e sua equipe de pesquisadores determinaram um índice semelhante ao Índice de Massa Corporal (IMC), chamado DEXA.

Já o método utilizado por Janssen e colaboradores considera a bioimpedância para identificar a sarcopenia: multiplicando a massa muscular esquelética total por 100 e dividindo pelo peso do paciente.

No entanto, é preciso que ao menos dois dos três critérios apresentem alterações para considerar a pré-sarcopenia.

Nessas avaliações, não é possível considerar a perda das funções musculares. Por isso, exames de precisão, como ressonância, tomografia e ultrassom complementares auxiliam no diagnóstico.

Depois de identificados esses níveis, o quadro geral do paciente é avaliado, bem como suas condições nutricionais e físicas, para que um tratamento baseado em dieta e exercícios seja receitado.

Tratamento da Sarcopenia

Exercícios de resistência e alimentação rica em proteína formam a base do tratamento da sarcopenia.

Atividades anaeróbias e de musculação agem na força muscular e são indicadas duas vezes por semana, com duração de 30 minutos, sempre acompanhadas de profissional. Já as proteínas repõem a massa muscular.

Mas o tratamento exige ainda mudanças mais profundas, relacionadas aos hábitos e ao estilo de vida do paciente.

Muitos dos que apresentam vida sedentária e nutrição irregular têm dificuldades em aderir a exercícios e alterar a alimentação.

Por isso, em alguns casos, os suplementos alimentares são indicados para acompanhar o tratamento e auxiliar na reposição de proteína – essencial para a recuperação do paciente.

Em entrevista à revista Saúde, a coordenadora do Núcleo de Estudos Clínicos em Sarcopenia (NECS) da Unifesp, Myrian Najas, recomenda a ingestão diária de 7,5 gramas de proteína para combater a sarcopenia.

O problema é que pacientes idosos tendem a reduzir o consumo da substância. Por isso, a profissional defende a suplementação.

“Embora seja mal vista por parte da população, é preciso ressaltar que, dentro de um contexto adequado, ela ajuda a inibir a perda muscular”, afirma.

Fonte: Secad

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