Arte sim, infantilização não: como os idosos podem usufruir da arte enquanto ferramenta de expressão

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A arte inclui, e por conta disso, encoraja e empodera

Você já deve ter lido ou escutado em algum lugar, que o número de idosos (pessoas com mais de 60 anos de acordo com a OMS – Organização Mundial da Saúde) está aumentando em todo o mundo.

De acordo com dados do IBGE colhidos em 2019, estima-se que o Brasil terá 73 milhões de idosos em 2060.

Achar que uma pessoa idosa é um ser dependente e fragilizado, estigmatizando-o e infantilizando-o, pode implicar numa abordagem equivocada, podendo assim afetar sua autonomia e autoestima de maneira negativa.

O envelhecimento é uma conquista a ser comemorada e assim, a sociedade precisa repensar muitos aspectos, como: questões de identidade, suporte, políticas públicas, mercado de trabalho, sexualidade e aceitação, só para citar alguns.

Assim sendo, os significados de envelhecer evoluem, pois dentro deste grupo encontramos diferentes tipos de velhice.

A arte enquanto ferramenta de expressão

Nesta fase da vida, a arte pode ser uma ferramenta poderosa, um meio para que os idosos possam expressar suas vivências e individualidades, encorajando-os a se perceberem como indivíduos, fortalecendo-os na velhice.

O fato é que a produção artística pode promover um olhar crítico e diverso ao idoso, no sentido mais amplo da palavra.

Portanto, produções em artes plásticas, dança, teatro, fotografia, contação de histórias, escrita, música ou outros meios audiovisuais, podem libertar e auxiliar nesta nova e duradoura fase da vida.

Uma produção artística, quando exercida com profundidade, pode incitar o olhar de reinterpretação de vivências, mexendo com sentimentos escondidos, estimulando o pensar.

A arte inclui, e por conta disso, encoraja e empodera. O poder que essa manifestação artística tem é o mesmo de como se estivesse dizendo ao mundo: “vejam quem sou eu e o que tenho a dizer”.

Por outro lado, o que deve ser evitado é limitar o idoso de suas capacidades, infantilizando-o.

Não é entregando um desenho pronto numa folha de papel com meia dúzia de lápis de cor para colorir, que ele vai poder mostrar todo o seu potencial.

O idoso precisa ser estimulado, afinal tem uma vida inteira para contar com uma gama infinita de ferramentas, basta escolher a linguagem que melhor se adapta.

É através do pensar, do se expressar e do criativo, que se sentirá incluído no cenário atual, como membro atuante da sociedade. 

Monica Tritone, comunicóloga visual e mestranda em Psicogerontologia 

Profa. Ma. Andrieli Bianca Rodrigues Camilo, docente do Programa de Mestrado em Psicogerontologia

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